Quando meninos viram homens

Nasci em uma família rubro-negra. Todos os 10 moradores de minha casa eram flamenguistas. Não tinha como eu não ser também, principalmente tendo um avô e um pai como os meus, cujo assunto preferido era futebol. Por isso, a rotina dominical era religiosamente seguida, fizesse chuva ou sol: à tardinha, todos os homens da minha casa vestiam o manto menos furados e iam ao Maracanã.

E eu me tornei um homem aos 7 anos de idade, no Brasileiro de 1981, mas precisamente no dia 5 de abril, no jogo Flamengo x Colorado. Ainda lembro o impacto que me causou a subida do túnel da arquibancada do Maracanã. A cada passo o barulho do Estádio ia aumentando e boquiaberto observei a imensidão do evento. Avistar a torcida e aquele gramado verde foi algo deslumbrante.

Lembro de minha inquietação ao notar que só ouvia o som do estádio e da minha insistência em perguntar: “Vô, cadê o narrador?” Passou um helicóptero: “Vô, cadê o narrador?” O jogo começou: “Vô, cadê o narrador?” (E pensar que hoje em dia mando o Galvão Bueno calar a boca!).
O jogo em si foi marcante também. Para quem não sabe, o Colorado rivalizava com o Atlético-PR e Coritiba no estado paranaense (em 1989, ele e o Pinheiros juntaram forças e formaram uma nova agremiação: o Paraná Clube). Vinte dias antes desse confronto no Maracanã, o Flamengo levou uma goleada de 4 x 0 no Couto Pereira. Além do caráter de revanche, a partida era decisiva para avançar de fase no campeonato brasileiro. Mais de sessenta mil pessoas foram ver esse encontro e, entre esses milhares, “euzinho da silva”.

O jogo foi dificílimo. Apesar do timaço do Flamengo jogar em casa, a equipe Colorada conseguia resistir às investidas rubro-negras e aplicava alguns sustos. Já no fim do primeiro tempo, silenciou a torcida ao fazer o seu gol, após um chute cruzado da direita, onde o atacante Aladim só teve o trabalho de escorar para o gol vazio.
Que sensação ruim… O primeiro gol que vi no Maracanã não foi do Flamengo. Meu avô aproveitou para tirar onda comigo. Chamava-me de pé frio e que não fez bem em ter me levado para um jogo tão importante. Pior que na mente de uma criança, isso soa como verdade. Veio o intervalo e meu avô já estava “de bem” comigo. Como era gostoso aquele picolé escorrendo pela mão!
Começa o segundo tempo, sorvete limpo no short e olhos vidrados no jogo. Nunca fui daquele tipo de criança em que o jogo corre solto e a desgraçada tá olhando pro céu, pro placar ou pra criança do lado. Ainda mais com o time perdendo e eu sendo o responsável pela derrota. O jogo transcorria tenso e a pressão empregada pelo Mengo estava implacável.

flacolorado

Perdíamos vários gols, e agonia ia aumentando… Mas quem tem Zico tem tudo! O Galinho estava encapetado e comandou a virada. Dois golaços em dois minutos, já no período final da partida.

Voltei em estado de euforia para casa. Caramba, ir ao maior estádio do mundo, ver o Flamengo vencer e ainda com gols do seu maior ídolo, não tem preço! No dia seguinte na escola, a marra tradicional de todo flamenguista estava incorporada em mim. Eu era o único da minha classe que já tinha ido ao Maraca. E os amiguinhos tiveram que aturar as minhas narrativas detalhadas do espetáculo que eu presenciara. Coitados…
Nesse mesmo ano, fui várias vezes ao Maracanã, inclusive no primeiro jogo da final da Libertadores, contra o Cobreloa (o jogo mais importante que vi no Maracanã, apesar de, na época, não ter noção do que a Libertadores significava). Nesse ano, o fanatismo já havia tomado conta de mim. A prova é que, semanas depois, na famosa final do “Ladrilheiro”, me recusei a ir a 1ª Comunhão de minha prima para poder ficar em casa, ouvindo a Decisão pelo rádio. Era a primeira vez que ficava em casa sozinho. Na semana seguinte, eu era um dos milhões de brasileiros acordados na madrugada para ver o Flamengo conquistar o Mundo, mas aí conto numa outra oportunidade.

petitHoje fiz questão de compartilhar com vocês o dia em que me tornei um homem de verdade. O dia que conheci a casa da Nação Rubro-negra e que nela o Mengão se impôs. Obrigado aos homens da minha casa (avô, pai e tios) que me tornaram flamenguista. Obrigado, Zico, por ter feito esse dia ainda mais perfeito. Obrigado, Flamengo. por ser tão maravilhoso! Obrigado a vocês que conseguiram chegar até o final do texto! Tomara que de alguma forma isso remeta a lembranças que, assim como a minha, nunca sairão de suas mentes.

 

Flamengo 2 x 1 Colorado
5 de abril de 1981 – Campeonato Brasileiro
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 61.749
Árbitro: Márcio Campos Sales
Flamengo: Raul, Carlos Alberto (Fumanchu), Luís Pereira, Marinho, Júnior, Vítor, Adílio, Zico, Tita, Nunes, Ronaldo. Técnico: Modesto Bria.
Colorado: Joel Mendes, Sídnei, Marião, Caxias, Ivo, Newton (Sartóri), Peres, Marinho, Buião, Jorge Nobre, Aladim. Técnico: Geraldino Damasceno.
Gols: Aladim, aos 39 do 1º tempo. Zico aos 33 e 35 do 2º tempo.

 

Marcelo Espíndola
@CeloEspindola

Wallpaper Flamengo 1981

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E viva o Clube de Regatas do Flamengo!!!

wallpaper_flamengo_1981

Saudações Rubro-Negras!

Para Flamengo La Intercontinental

PARA FLAMENGO LA INTERCONTINENTAL
3-0: Perdió el Liverpool
Zico el mejor hombre en Tokio

Tokio. – El Flamengo de Brasil, campeón de la Copa Libertadores de América, se coronó en el Estadio Olímpico de Tokio campeón mundial de clubs, al derrotar fácilmente Por 3-0 al campeón de Europa, el Liverpool de lnglaterra.

El primer tanto lo conslguió Nunes en el minuto 12. Adilio puso el marcador en 2-0 en al minuto 33 mediante un tiro libre, poniendo clfras definitivas al marcador nuevamente Nunes en el minuto 4º tras una brillante acción individual.

A pesar de no haber marcado ningún goI, la figura descollante deI Flamengo, y de todo el encuentro, fue Zlco quien con su brlllante técnica sentó dos bases para el gran triunfo de Flamengo, que de esta manera sucede en el trono de campeón mundial de clubs al Nacional de Montevideo.

En los tres goles del Flamengo Zico tuvo activa participación, «labor que lo valió, como premio, un automóvil de fabricación japonesa (Toyota).

El primer gol, tras una combinación entre Zico y Nunes, podía haber sido evitado por el Liverpool. Pero el defensa Thompson no prestó atención a Numes quien entró rápidamente a rematar el balón el fondo de las redes.

El segundo gol fue producto de un fallo del arquero Grobberlaar, quien no pudo sujetar del todo un tiro llibre ejecutado por Zico,rodando el balón a los pies de Adilio quien no desaprovechó la oportunidad para marcar el segundo tanto.

En el minuto 40, Zico con un pase matemático entregó la pelota a Nunes qulen entraba por le banda lateral, quien luego de drlblar a dos ingleses marcó el tercer gol para el campeón de América.

En el segundo tiempo los ingleses trataron de quebrar la defensa del Flamengo con pases largos y por alto. Pero la defensa carloca no se dejó sorprender y el portero brasileño Raúl tuvo una jornada muy tranquila.

FLAMENGO: Raúl. Leandro, Mozer, Júnior, Marinho, Andrade, Tita, Adillo, Zico y
Nunes.

LIVERPOOL: Grobberlaar, Neal, Thompson, Hansen, Lawrenson, Kennedy, Lee, MoDermott, (Johnson), Souness, Johnston y Dalglïsh.

Historial
1960 Real Madrid.
1961 Peñarol (Uruguay)
1962 Santos (Brasil)
1963 Santos (Brasil)
1964 Inter (Italia)
1965 Inter (Italia)
1966 Peñarol (Uruguay)
1967 Racing (Argentine)
1968 Estudiantes (Argentina)
1969 Milán (Italia)
1970 Feyenoord (Holanda)
1971 No se celebró
1972 Ajax (Holanda)
1913 Independiente (Arg.)
1974 Atlético de Madrid
1975 No so celebró
1976 Bayern (RFA)
1977 No se celebró
1978 Boca Juniors (Arg.)
1979 Olimpia (Paraguay)
1980 Nacional (Uruguay)
1981 Flamengo (Brasil)

La Vanguardia (Barcelona, Espanha), edição de terça-feira, dia 15 de dezembro de 1981.
Fonte: Hemeroteca do La Vanguardia
Fonte:

Lección brasileña en la Copa Intercontinental


3-0: EL FLAMENGO ARRASÓ AL LIVERPOOL
Zico no marcó pero fue el mejor sobre el campo

Tokio, 13. (Servicio especial.) — El Flamengo, jugando con valerosa determinación, derrotó al equipo inglés del Liverpool por 3-0 adjudicándose así la Copa Interconti-nental 1981 por primera vez. Los brasileños, ganadores de la Copa Libertadores; superaron a sus rivales ante 62.000 espectadores. Al descanso se llegó ya con el resultado de 3-0. El Flamengo abrió el marcador a los 13 min. cuando el delantero Nunes recibió un magnífico pase del centrocampista, y mejor juga-dor brasileño, Zico, para rematar desde el área izquierda.

El centrocampista Adilio logró el 2-0 a los 33 min. al rematar por bajo entre los dos jugadores del Liverpool un balón que se le había escapado al guardameta Bruce Grobberlaar al intentar atajar un golpe franco sacado por Zico. El tercer tanto llegó a los 41 min. cuándo Nunes disparó desde el lado derecho del área inglesa. El Liverpool tuvo oportunidades de marcar pero la atlética y segura defensa del Flamengo consiguió controlar siempre los intentos un poco lentos de remate de la vanguardia inglesa.

Pese a la frenética actividad que se desarrolló en el centro del campo, sólo hubo un tiro a puerta de cada equipo en los primeros doce minutos del encuentro. Zico fue elegido como el jugador más destacado del partido mientras su compañero Nunes ganó el «Trofeo al máximo goleador». Ambos jugadores recibieron como regalo un coche japonés ofrecido por el patrocinador del partido, la industria japonesa número uno en la producción de automóviles.

En los 90 minutos del partido, el árbitro mexicano Mario Rubio Vázquez no tuvo ningún problema ni tuvo que hacer adviertencia alguna a los jugadores que actuaron correctamente. El Flamengo lanzó 14 tiros a puerta, tres corners y 10 faltas mientras el Liverpool disparó cua-tro veces a puerta, forzó cinco corners y lanzó ocho golpes francos. El Flamengo es el primer equipo brasileño que gana el Trofeo desde que el Santos lo hiciera en 1962 y 1963.

FLAMENGO: Raúl, Leandro, Mozer, Junior, Marinno, Andrade, Títa, Adilio, Zico, Lico y Nunes.

LIVERPOOL: Grobberlaar, Phil Neal, Phil Thompson, Alan Hansen, Mark Lawrenson, Ray Kennedy, Sammy Lee, Terry McDermott, Graeme Souness, Craig Johnson, Kenny Dalglish.

En la segunda parte David John-son reemplazó a McDermott. Bob Paisley, el mánager del Liverpool, declaró al final: —No puedo comprender cómo hemos jugado tan mal. Nos faltó agresividad y rapidez. El Flamengo ha merecido el triunfo. No tengo que dar ninguna excusa. La derrota ha sido sólo culpa nuestra. El Liverpool, que quería ser el primer equipo británico en ganar el trofeo y el primero de Europa desde 1976 cuando el Bayern fue campeón, se encontró siempre sometido al ritmo y a la inteligencia de sus rivales.

Asimismo el presidente del Flamengo. Antonio Dunshete, manifestó des-pués del encuentro que no existe, ninguna posibilidad de que la estrella de su equipo, Zico, vaya a Italia la próxima temporada: «No hay ningún equipo en Italia ni en ninguna parte del mundo, que pueda pagar a Zico; el rumor de que podría jugar en Italia es la mentira más grande que he oído en mi vida». Por su parte, el propio Zico corroboró las palabras de su presidente: «Comencé en el Flamengo y quiero retirarme en el mismo club». Zico gana actualmente en el ya campeón de la Copa Intercontinental 768.000 pesetas por semana.

El Mundo Deportivo (Barcelona, Espanha), edição de segunda-feira, 14 de dezembro de 1981.
Fonte: Hemeroteca do El Mundo Deportivo.

Vestiu Rubro-Negro Não Tem Pra Ninguém: Lico

Quando o Flamengo pisou o gramado do maior estádio do mundo no dia 8 de novembro de 1981, todos ficaram surpresos com a presença daquele jogador de pernas compridas e passo cadenciado. Era Lico, em sua primeira aparição como titular rubro-negro no Maracanã, com a camisa 11 habitualmente vestida por Baroninho. Lico havia passado discretamente pela Gávea no ano anterior, comprado ao Joinville, mesmo time para o qual foi emprestado como forma de quitar parte de seu passe. Voltou ao Rio discretamente após o campeonato brasileiro de 1981 e havia sido utilizado poucas vezes, sempre no segundo tempo, até ganhar a titularidade contra o Botafogo, artimanha concebida por Carpegiani na véspera.

Mais surpreendente foi vê-lo pela ponta direita, com Tita deslocado para a esquerda. E o Flamengou goleou por 6×0 com Lico tocando, driblando, tabelando e fazendo gol como se o Flamengo estivesse esperando por ele para se tornar campeão de tudo. Lico mora atualmente em Imbituba, sua terra natal, onde coordena uma escolinha de futebol. Contrariado com o desempenho do Flamengo diante do Internacional (“Às vezes nós até jogávamos mal, mas nunca com apatia, ninguém pode ser apático defendendo o Flamengo”), o camisa 11 campeão do mundo respondeu a 5 perguntas do ACIMA DE TUDO RUBRONEGRO.

ADTRN: Lico, a primeira pergunta foi feita por nosso entrevistado anterior, Zico, que disse o seguinte: “Gostaria de saber do Lico em qual posição no futebol ele gostava de jogar e se sentia melhor, e aproveito para enviar um grande abraço para ele e toda a família.”

Lico: É uma honra ser entrevistado para falar do Flamengo, ainda mais com uma pergunta feita pelo Zico. Um abraço para ele e para toda a família também. Eu joguei em todas as posições do meio para a frente, e no Flamengo joguei mais como falso ponta-esquerda, fechando o quadrado no meio de campo. Mas antes de ir para o Flamengo, eum jogava na meia-direita pelo Joinville, com a camisa 8. No primeiro dia de Gávea, o time principal estava na Europa e o Zico estava no Brasil, voltando de uma contusão. Eu joguei um coletivo contra os juniores, na meia direita, e o Zico na meia esquerda. Nunca haviámos jogado juntos, mas o entrosamento foi imediato e Zico me elogiou muito. Mais tarde, quando fui titular, a meia direita era do Adilio e eu fui para a ponta, mas também com a missão de fechar o meio. Então é isso, a minha posição preferida era a meia direita, ainda mais se fosse ao lado do Zico. Mas naquele Flamengo, qualquer posição servia, só tinha craque e era fácil jogar.

ADTRN: Você teve participação direta no segundo gol em Tóquio. Como foi aquele lance?

Lico: Tem uma coisa curiosa nesse gol. Era uma falta frontal, e o Zico costumava cobrar por cima da barreira. Mas o piso em Tóquio era muito duro, e mesmo sem combinar, achei que ele podia cobrar rasteiro para dificultar o goleiro e me preparei para o rebote. Depois do jogo o Zico disse que pensou mesmo isso, em chutar para a bola quicar antes do goleiro. Foi o que aconteceu, o goleiro deu rebote, até foi um rebote curto, mas eu estava em cima do lance. Toquei na bola de leve, achando que o goleiro não ia se recuperar, mas ele esticou o braço e bateu na bola. Eu ia voltar no lance mas vi o Adilio chegando e aí só tirei o corpo e assisti o gol de camarote. Eu sempre prestei atenção nos rebotes, e há pouco tempo, em um jogo do Fla Master em Joinville, o Nunes bateu uma falta e mesmo com meu joelho estourado eu cheguei em cima e marquei o gol.

ADTRN: Hoje você trabalha com formação de jogadores. Como você vê a base do Flamengo?

Lico: Bom, estou longe e não sei os detalhes, mas acho que os garotos da base deviam ser preparados não para se tornarem jogadores de futebol, mas jogadores do Flamengo, o que é muito diferente. Não adianta só ter bola, a camisa do Flamengo pesa. Então eles deviam esquecer um pouco os carrões, as festas, e se dedicarem a entrar para a história do Flamengo. O resto vem naturalmente, porque quem vence com a camisa do Flamengo, vence qualquer desafio. E também devem ser lembrados sempre que o futebol é um jogo coletivo, o importante é o time vencer. Uma vitória vale mais do que qualquer firula.

ADTRN: Você foi campeão de tudo pelo Flamengo. Mesmo com tantas vitórias, há alguma derrota que, se pudesse, você voltaria no tempo para evitá-la?

Lico: Pode até parecer ingratidão diante de tudo o que conquistamos, mas há sim. Se eu pudesse, mudaria o resultado do jogo contra o Peñarol pela Libertadores de 1982 no Maracanã. Precisávamos da vitória para ir à final. Jogamos muito bem, criamos várias chances de gol, dominamos o jogo todo, mas a bola não entrou. Em uma única escapada, o Peñarol teve uma falta e o Jair, que jogou no Inter, acertou o ângulo. A torcida reconheceu nosso esforço e aplaudiu, foi bonito, mas não engolimos aquela derrota. Tenho certeza que nós iríamos para o bicampeonato mundial se passássemos ali. Ficamos abatidos. Nós sentíamos a derrota tanto quanto os torcedores. Não sei se hoje é assim. Se eu pudesse mudar um resultado na minha vida, seria aquele.

ADTRN: Lico, nós agradecemos o seu carinho. Foi uma prazer entrevistá-lo. E assim como o Zico deixou uma pergunta para você, por favor, faça uma pergunta para um ex-jogador do Flamengo.

Lico: Eu que agradeço e deixo um abraço para todos os torcedores rubro-negros. A minha pergunta é para um dos jogadores mais completos que vi atuar e que, além de ser um jogador extra-série, era um camarada que estava sempre de alto astral, de bem com a vida. Estou falando do Leandro. Ele se consagrou como lateral, mais tarde jogou como zagueiro, mas quando eu não pude jogar a final da Libertadores, o Carpegiani puxou o Leandro para o meio e ele foi simplesmente perfeito. A pergunta é parecida com a que o Zico fez pra mim. Leandro, se você fosse jogar no futebol de hoje, jogaria em qual posição? Um grande abraço!

Gigante adormecido

Um dia após a nossa lamentável eliminação para o Vasco, como é feriado de São Jorge aqui no Rio de Janeiro, tirei o dia para dar aquela faxina na casa. Não queria saber de noticiário esportivo, nem mesmo me envolver em discussões fervorosas sobre o futuro rubronegro. Resolvi iniciar a arrumação da bagunça por onde guardo revistas, recortes e jornais sobre o Flamengo. Meu projeto de arrumação acabou ali mesmo. Comecei a folhear os jornais e fiquei relembrando notícias e vitórias memoráveis. A raiva (sempre passageira) que tenho do Clube que amo nos momentos de derrota, esfarelava-se a cada notícia lida. Cara, como é bom ser Flamengo!

Mas ao me deparar com o jornal O Globo do dia 07 de dezembro de 1981, fiquei radiante. Era o dia seguinte da decisão do Estadual daquele ano. O famoso jogo do Ladrilheiro, onde sapecamos o Vasco.Trinta anos depois, vejam como as segundas-feiras são tristemente opostas. No jornal, a alegria do título e de ter derrotado o seu maior rival. Na realidade de hoje, a tristeza de ter no time um bando de pernas de pau, comandados por um técnico bisonho e uma Presidenta patética. Nesse momento fiquei triste de novo.

Mas aí veio a página seguinte que fez meus olhos lacrimejarem. Uma notícia sobre a preparação do Liverpool para a final do Mundial Interclubes, seis dias depois. Embarquei na notícia e comecei a viver a semana daquela decisão. Estava a poucos dias do jogo mais importante da história do Flamengo. Coração deu uma acelerada e me dei conta que estava em 2012. E pensei em como seria bom que algo parecido acontecesse com a gente de novo.

Esse breve texto não tem nada a ver com nada, e talvez nem deva ser oportuno… Deu vontade de escrever, só para tirar um pouco da angústia do meu peito. Para aqueles que não entendem meu lado corneta e mal humorado com o time atual, esses recortes talvez dêem a dimensão do que espero sempre do nosso clube. Desculpe a chatice, mas já fomos grandes. E quando falo grande, digo gigaaaaaante. E um gigante não mata sua fome com migalhas e nem pode encolher ano após ano. Temos que fazer algo, por favor! Está na hora de despertá-lo.