Um de nós

Quando garoto, você parecia um veterano. Entrou na fogueira, mandou dois petardos contra o América e comemorou como se não coubesse no Manto Sagrado. Aos saltos, braços loucos, berro rouco. Logo vimos que você era um de nós. Campeão carioca em 1974.

Sua vasta cabeleira dos anos 70 não era Black Power.

Era Red and Black Power.

Quando Rondinelli marcou o gol no dia 3 de dezembro de 1978, você correu para abraçá-lo com o abraço que era de cada um de nós.

Um de nós, Júnior. Você sempre foi um de nós.

E veio o tricampeonato, o campeonato brasileiro de 1980 e o primeiro ano de resto de nossas vidas, 1981. Você estava lá. Campeão de tudo.

No dia em que conquistamos o pentacampeonato da Taça Guanabara, em um lance que já estava parado, uma bola chutada de longe ia entrando em nossa meta e você saiu correndo como se estivesse salvando uma vida, e para não deixar a meta ser vazada mesmo com o jogo parado, deu um tapa na bola. Aqui não, violão. Comemoramos como se fosse gol porque você era isso, Júnior. Um de nós.

E mais taças, no Brasil, lá fora, onde houvesse taças para conquistar. Aí Zico foi embora, e no primeiro jogo após a saída Dele, você fez um gol de falta como se dissesse a cada um de nós: o Flamengo continua.

Você foi embora. E voltou. E disse: só saí de férias, agora voltei para casa.

Beijou o Manto Sagrado e professou: essa é minha segunda pele.

Ganhou a Copa do Brasil e o campeonato carioca com um gol que matou o Fluminense e chorou quando seu filho entrou no gramado e disse: – Pai, nós somos campeões.

Não parecia haver mais nada, Júnior. Mas veio o pentacampeonato contra o Botafogo e você foi o Maestro.

Quando veterano, você parecia um garoto. Fez os gols e comemorou como se não coubesse no Manto Sagrado. Aos saltos, braços loucos, berro rouco. Pentacampeão do Brasil

Obrigado por tudo, Júnior. Acima de tudo, por ter sido um de nós.

Feliz aniversário, Maestro.

A arte da vingança

A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena. Quem nunca ouviu essa frase do lendário seriado Chaves? Uma frase carregada de bons valores e de sentimentos nobres. Mas que se foda o Chaves e a pureza da alma! Com o Mengão não tem essa não. Gostamos de nos vingar, com requintes de crueldade. Vamos a alguns exemplos da desumanidade rubro-negra:

Botafogo nos ganhou por 6 X 0 em 1972 e nos vingamos em 1981 e aplicamos os juros em 1985. Palmeiras nos eliminou em 1979 e no ano seguinte foi o nosso troco. Vasco tirou onda com o gol do título de 1988 de um tal Cocada e a nossa desforra dura até hoje: nunca mais ganharam uma final da gente.

E o jogo que recordaremos hoje é sobre outra vingança à nau portuguesa. Nesse mesmo ano de 1988, Flamengo e Vasco se enfrentaram seis vezes. Vencemos a primeira partida e perdemos as outras cinco, para delírio dos vascaínos que entoavam a todo canto que haviam feito a quina e blá, blá, blá… Todas essas derrotas foram em um intervalo de tempo de quatro meses.

Incomodava-me demais essa marca negativa, ainda mais para um time de Portugal. Mas nossa vingança tardaria, mas chegaria. Ela começou a acontecer no ano de 1990. Vencemos o Vasco por 1 x 0 pelo Campeonato Brasileiro daquele ano, com gol do novato Nélio. A segunda vitória foi no Brasileirão do ano seguinte, que foi antecipado para o primeiro semestre. Vitória acachapante por 3 x 0. Depois veio a Taça Estado do Rio de Janeiro, onde ganhamos por 2 x 0, com dois gols de Marcelinho. A quarta vitória foi na Taça Guanabara, de virada por 2 x 1, com o centroavante Gaúcho tirando onda de Seu Boneco da escolinha do Professor Raimundo.

Finalmente chegava o jogo que concretizaria a vingança. A partida valia pela Taça Rio de 1991 e o Flamengo vinha fazendo uma campanha impecável no segundo turno, disputando ponto a ponto com o Botafogo a conquista da competição. Esse jogo também foi marcado pela inauguração do primeiro bandeirão do Flamengo, confeccionado pela Torcida Jovem. Ainda está viva em minha memória, a imagem daquela enorme bandeira sendo desfraldada para delírio do lado rubro-negro e silêncio da atônita torcida vascaína.

Além da motivação pela liderança e da oportunidade de vingar-se três anos depois, enfrentar o baiano Bebeto sempre era um ingrediente a mais para o clássico. O jogo teve amplo domínio do Flamengo, que possuía um timaço. Gaúcho e Júnior estavam no auge e a torcida estava em sintonia com a evolução do time. Verdadeiro espetáculo na arquibancada, com coreografias sincronizadas e alegria incontrolável. À medida que os gols saíam e a forra se concretizava, o êxtase ia tomando conta da atmosfera rubro-negra. A sensação de alívio ao tirar aquele incômodo fardo era sublime. A quina agora era nossa e ainda mais bela, pois não foi feita em jogos subsequentes, onde uma má fase explica, e sim em quatro torneios diferentes. A vingança foi digerida friamente, assim como o ditado sugere.

Hoje pela Taça Rio 2012, mais um clássico dos milhões agita as torcidas. Se o Bacalhau for esperto e ligado na história sabe que logo mais pode ser de novo vítima da envenenada alma rubronegra. Porque Deivid está sinistro, com sede de revide e também não está nem aí pra lição de moral de seriado mexicano.

Flamengo 2 x 0 Vasco da Gama
24 de novembro de 1991 – Campeonato Carioca
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 42.734 pagantes
Árbitro: Claudio Vinícius Cerdeira
Flamengo: Gilmar, Charles Guerreiro, Gotardo, Júnior Baiano, Piá, Uidemar, Júnior, Nélio (Marquinhos), Zinho, Paulo Nunes (Fabinho) e Gaúcho. Técnico: Carlinhos
Vasco: Carlos Germano, Dedé, Torres, Missinho, Cássio, França, Luisinho, Bebeto, Sorato (Mauricinho), Bismark, William. Técnico: Antonio Lopes
Gol: Zinho, aos 36 do 1º tempo e Fabinho, aos 10 do 2º tempo.

Diga não a Botafoguização do Flamengo!

O Blog Acima de tudo Rubro Negro abre espaço para a Nação soltar o verbo!
Hoje quem manda a letra é o Jornalista, sarcástico e debochado Rubro Negro Bruno Cazonatti  o Cazô, colunista do FlamengoNet.




O Flamengo se acovardou em sua tática de prancheta. Fez um gol cedo, diminuiu o ritmo e armou aquela velha retranca escrota, típica dos que esperam o bicho após o apito final. Mas o que deu foi zebra. Ou foi apenas lógica? Sim, porque, pra mim, time pequeno é aquele que não consegue manter a posse de bola, erra passes bisonhos e não acerta a saída de bola. Exatamente como o Flamengo de ontem, que é o mesmo de 2010. Só que o deste ano tem uma diferença básica: desperdiça muito mais dinheiro com alto salário de jogador que não passa de fraude. E o que eu vi ontem foi, mais uma vez, aquele Flamenguinho que é agora do Joel SantAnta, mas que já foi do Silas e do Rogério Lourenço.
Não vou tapar o sol com a peneira ou tirar o sofá da sala. Nem apontar, como culpado, esse assoprador-de-apito. Claro que esse árbitro de merda foi conivente com a violência e, para compensar o pênalti não marcado por Galhardo, deixou o lance correr e permitiu que o jogador do Boavista fizesse um gol de handebol. Mas, será mesmo que juizinho é o culpado por Maldonado agir como Júnior Baiano, ou por David Braz e Welinton serem mais grossos do que corda de amarrar navio? Ah, e nem vale citar novamente aquele papo batido de muitos volantes, né? É muito mimimi pra time que se diz grande, mas não age como tal.
E, como sabiamente disse o amigo Marcelo Espíndola, o Fla Museu, Nada justifica perder para o Boavista. Não me venham com chororô de arbitragem. Diga não a Botafoguização do Flamengo!”. Enfim, o enredo do time se resume ao Renato Abreu que, pela experiência, deveria dar o exemplo, mas agiu como um destemperado. Ser marrento em Estadual é mole, quero ver é ser brabo com os hermanos na Libertadores, com catimba, juiz gringo e a torcida rival empurrando o tempo todo.
Ah, e falando na mais importante competição do continente, vale lembrar que é com esta mesma equipe que se arrasta no Carioquinha, e com esta mesma bosta de treinador, que vamos disputar esta bagaça. E do jeito que a coisa está, a gente só conquista este Bi se tirarem a 10 do Ronaldinho e entregarem para São Judas.
Bruno Cazonatti
Twitter: @cazonatti 

Vasco 2×1 Flamengo: Me dei ao luxo de ser corneta!

Em quarta feira decinzas o clima ainda era de folia, nada melhor que assistir um Flamengo XVasco. E o jogo foi digno de espetáculo. Duas equipes dispostas a levar. Ederam todo gás. 
Dias antes euainda proferi: não me preocupo com a escalação de Joel, apenas porque oadversário é o vice! Pretensão? Ou costume de sempre levar em clássicos? 
Jogo iniciado e oFlamengo lindamente faz a festa. Logo de saída gol impecável do predestinadoLove. O cara chegou com toda raça, e diz a que veio!
Ele sabe qual ovalor e o peso do manto. Love é jogador do Rubro Negro. Nasceu pra estar ali.Faz parte de sua essência o amor ao Mengão. E isso dá gosto de ver. 
Flamengo atuandocom melhores jogadas… e Vasco atuando com melhores finalizações. 
Diante do primeirogol sofrido, a equipe cruzmaltina chamou a responsabilidade. 
Tivemos duasequipes jogando a todo vapor. 
Joel se eximiu dequalquer responsabilidade. Pois em campo tivemos diversas chances perdidas, porfalta de raça de ir lá buscar.  
Felipe apesar deboa atuação, me deixou boquiaberta com as defesas bizarras. Não apenas uma, maspor várias vezes espalmou a bola dando chance ao azar. O rebote erafácil. 
E na sucessão deerros, eis que Deivid comete o inacreditável. Ainda tem algo a comentar sobreeste assunto? Um jogador que sai aplaudido pela torcida adversária, nãocabe mais nada nessa resenha. 
Eu no lugar delesimularia um desmaio, permaneceria jogado no chão até a ambulância me retirarde campo. Vergonha é pouco. O ocorrido ali não tem nome. 

Fica difícil nãocolocar na conta dele o fato de não ganharmos ontem. Mas a verdade é que estegol perdido não seria garantia de vitória. Pois a cada ataque nosso, o Vicereagia. 
R10 não me dáalternativas a não ser criticas. Ele é craque, sempre foi. Mas é jogador queprecisa de um time jogando para ele. Ele é jogador que faz graça, que éimportante, porém anda apático. 
Entra em campo enão faz a menor diferença. Não chama pra ele a responsabilidade. Custobeneficio não está legal. Qual foi o jogo que R10 fez a galera pirar naarquibancada? Que levantou o estádio? Se alguém lembrar me avise, porgentileza. 
Entrosamento não éa palavra que defina atual equipe do flamengo. E se antes, com Luxa,reclamávamos da falta de jogadores na base sendo iniciados no time principal,com Joel podem esquecer essa possibilidade. Nem ao banco ele trás os garotos.Se ele acha que Luis Antonio foi mal nos dois últimos jogos, qual a definiçãopara Deivid? 
Resumo da opera…ganhar do vice sempre é bom. Tem gostinho de deboche! Hoje eu estaria muitomais abusada! Mas fazer o Vasco vice do Botafogo ou Flu…não tem preço! Queassim seja. 
Que atire aprimeira pedra quem nunca cornetou!

Cella 
#NadaImportaSemOFlamengo

Vasco 2x1Flamengo
22 de fevereirode 2012 – Taça Guanabara
Estádio doEngenhão – Rio de Janeiro
Público: 18.305pagantes
Árbitro: LuísAntônio Silva dos Santos
Flamengo:Felipe Leo Moura (Galhardo), Gustavo,Welinton e Junior Cesar; Aírton (Negueba),Willians, Renato Abreu e RonaldinhoGaúcho; Vagner Love e Deivid (Bottinelli).Técnico: Joel Santana
Vasco: FernandoPrass, Fagner, Rodolfo (Renato Silva),Dedé e Thiago Feltri; Nilton, FellipeBastos, Juninho Pernambucano (Felipe) eWillian Barbio (Kim); Diego Souza eAlecsandro. Técnico: Cristóvão Borges
Gols: VágnerLove aos 2 e Alecsandro aos 14 do 1ºtempo; Diego Souza aos 32 do 2º tempo.

As lições nunca assimiladas: Resende 1×3 Flamengo

Dois acontecimentos me chamaram a atenção na vitória contrao Resende, sábado, em Volta Redonda. No primeiro tempo, o Flamengo alugou omeio-campo de modo avassalador: teve 61% de posse de bola, contra 39% doResende. Se fossemos computar os momentos que o adversário esteve encurralado efoi obrigado a rifar a pelota, o domínio passaria dos 70%.
No entanto, apesar de ficar muito tempo com a bola, o timenão sabia o que fazer com ela. Não criou nenhuma oportunidade que merecesseacabar em gol – vá lá, talvez a arrancada de Léo Moura –  e ainda viu o Resende mandar uma bola notravessão, nos minutos iniciais de bobeira, já tradicionais no Flamengo.
Era isso: um time que tinha a bola. E daí?
Os minutos iniciais de bobeira se repetiram no segundotempo. A trave, amiga na primeira etapa na cabeçada de Marcel, não aliviou abarra quando Valdeir bateu uma falta longa e a estática zaga rubro-negra sóassistiu a subida de Marcelo Régis.
Estávamos perdendo, mas o jogo havia mudado para melhor.Tudo porque Bottinelli no lugar de Luiz Antônio dava jogo pela direita. Não queEl Pollo seja um portento de armador, mas sabe o básico e vai bem na bolaparada, com a que caiu macia na cabeça de Ronaldinho Gaúcho.

Três minutos depois do empate, a melhor jogada da tarde.Pela raça insistente de Ronaldinho, pelo bom passe de Bottinelli, pelo ótimocruzamento de Léo Moura, pela excepcional antecipação de Vágner Love.  Mais tarde, Negueba fechou a conta.
Valeu pelo domínio e pelo bom segundo tempo de Ronaldinho,como bem registrou Lédio Carmona. Mas a principal lição, que foi o time subirde produção sem Renato Abreu e com dois meias no segundo tempo, não parece tersido assimilada por Joel Santana, que anuncia a volta do intocável paraenfrentar o Vasco.
Valei-nos, São Judas Tadeu.
Resende 1×3 Flamengo
18 de fevereiro de 2012 – Taça Guanabara
Estádio Raulino de Oliveira – Volta Redonda
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique
Flamengo: Felipe, Leo Moura, Welinton, David Braz e JuniorCesar; Aírton, Willians, Luiz Antônio (Bottinelli) e Ronaldinho Gaúcho; VagnerLove (Maldonado) e Deivid (Negueba). Técnico: Joel Santana
Resende: Mauro, Wellington, Facundo Gomez, Filipe Machado eKim (Emerson); Léo Silva, Iuri, Marcel (Hiroshi) e Valdeir (Léo); Elias eMarcelo Regis. Técnico: Paulo Campos
Gols: Marcelo Regis aos 2, Ronaldinho Gaúcho aos 13, VágnerLove aos 17 e Negueba aos 38 do 2º tempo.

Fla 2×0 Nova Iguaçu: melhorou

Melhorou. Não foi nada de outro mundo, o caminho é longoaté se tornar um time organizado e compacto, mas jogador com dois atacantes fezum bem danado ao Flamengo. Ronaldinho jogou ali onde se pensa o jogo e amarcação se deslocou atrás dele, abrindo espaços para Love e Deivid. Setivéssemos um lateral esquerdo funcional, teria dado jogo. O problema é que nadireita, onde o lateral é funcional, não há meia. Na esquerda, onde há meia,não há lateral. Mas a bola ficou mais na frente e por isso digo: melhorou.
Com Love, é possível cogitar um time. Acompanhem.
Felipe. De goleiro estamos bem servidos. Não é uma releiturade Yashin, um Dasaev negro, um Zoff aprimorado, mas é um ótimo goleiro. Acimada média.
Os laterais. Léo Moura já passou do auge? Azar, não temcoisa muito melhor no mercado. Até fiquei esperançoso com as atuações diante doPotosí. Ele não manteve o nível depois, é verdade, mas ainda pode render.Júnior César é fraco, quase uma piada de português: nos desfizemos de JuanMarrentinho porque ele nos irritava e aí contratamos o jogador que seriareserva dele no São Paulo. É um demérito do elenco, três laterais pela esquerdaque não valem por um.
A zaga. González, de qualquer maneira. A dúvida é melhor doque a certeza de que Welinton, Gustavo e David Braz são pavorosos. E eucolocaria ao lado de González o Airton. É, o Airton. Tem estatura eenvergadura, está sobrando volante e o Airton é o que mais tem atributos dezagueiro.
Dois volantes. Dois, Joel, só dois. Williams porque saberoubar a bola e Muralha porque sabe passar.
Dois meias. Bottinelli pela direita chamando Léo Moura,Ronaldinho pela esquerda para municiar os avantes.
Vágner Love, flutuando, e Deivid na referência. 
Deu. Felipe, Léo Moura, González, Airton e Júnior César;Willians, Muralha, Bottinelli e Ronaldinho; Love e Deivid. Eu iria assim.
Claro que é impossível, qualquer Flamengo passa peloinexplicável e interminável Renato Abreu e me recuso a pensar uma escalação comele.
Que fique a ideia. É simples. É um 4-4-2 honesto.Jogando assim, mesmo que 3 dos 4 do meio tenham sido volantes, vencemos o NovaIguaçu sem sustos. Como eu disse, melhorou.
Flamengo 2×0 Nova Iguaçu
12 de fevereiro de 2012 – Taça Guanabara
Estádio Cláudio Moacyr de Azevedo – Macaé
Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães
Flamengo: Felipe, Léo Moura, Wellinton, David Braz e JúniorCésar; Willians, Luiz Antônio (Maldonado), Renato Abreu e Ronaldinho Gaúcho;Vágner Love (Negueba) e Deivid (Bottinelli)
Técnico:
Joel Santana
Nova Iguaçu: Jefferson, Marcelinho, Naylhor, Vagner Eugenio eChiquinho (Uallace); Filipe Alves, Amaral, Mossoró (Otávio) e Dieguinho; Zambie Leandrão (Jones)
Técnico:
Leonardo Condé
Gols: Deivid aos 13 do 1º tempo; Renato Abreu (falta) aos 14do 2º tempo.

Lembranças eternas de um jogo mixuruca

Acompanho o Flamengo emestádios desde 1981. Sendo de uma família de rubro-negros fanáticos, sempretinha um parente para me levar ao Maracanã. Graças a isso, vi incontáveispartidas no maior do mundo, como a final da Libertadores contra o Cobreloa, a goleada no Corinthians em 1983, a caçada de Marajás do Bujica em 1989, a final do Brasileiro de 1992… Mas até a data de ontem, ou seja, 30 anos acompanhandomeu time de perto, só havia conhecido 4 estádios: Maracanã, Gávea, Rua Bariri eEngenhão. Nunca em todos esses anos nessa industria vital (como diria o desenho do Pica-Pau) viajei para ver meu time jogar fora da cidade do Rio de Janeiro.Para muitos um pecado. Para outros, desleixo. Para mim era falta de tempo,grana e até mesmo coragem (morro de medo de confusão e sempre ouvia históriasde baderna nas estradas).

Há alguns meses já estavapensando seriamente em parar de frescura e encarar um jogo fora. Sábado à tarde,estava eu curtindo um bloco de carnaval, quando recebo uma mensagem no celularda minha companheira de blog Marcellinha. Uma mensagem singela: “Caraaaaalho, ganhei quatro convites do BrahmaFla para ver o jogo em Macaé! Não poderei ir. Você quer?”. Acho que por causa do efeito do sangue que corre na minha corrente etílica, aceitei de primeira. Chegando em casa é que fui ver a encrenca em que havia me metido. Agora não poderia amarelar. Era hora de quebrar tabus.

Conforme combinado, cheguei para buscar os ingressos em Botafogo. Para minha surpresa, as entradas nãoestavam lá. Não havia nenhuma notificação que a Marcella havia ganhado apromoção. Pronto, acabou a aventura. Avisei a minha amiga barraqueira que,assim que soube, mobilizou o Twitter com gritos histéricos e palavras derevolta contra @BrahmaFla. Fiquei esperando das 11 às 13 horas. Não estavafazendo muita questão, mas tinhas meus companheiros de viagem que iriam mematar, pois havia prometido as entradas para a estréia do Love. Mas aí surgiu o Guilherme, que não sei se pelos ecos do Twitter em polvorosa, apareceu com osingressos e, enfim, podíamos encarar a estrada. Lanchamos rapidamente e partimos rumo a Macaé.

No carro, cincoflamenguistas iam relembrando jogos inesquecíveis e fazendo previsões para2012. Surpreso e cansado, descobri que Macaé era longe, mas enfim quandofaltavam mais ou menos 40 minutos para o início do jogo, chegamos ao Moacyrzão.O Estádio é pequeno, mas muito aconchegante. Dentro dele, guloseimas que não sevê no Maraca e nem no Engenhão. Sacolé de frutas (que naquele sol escaldante desceu redondo), deliciosos salgados recheados de gordura saturada (realmenteestava gostoso) e aquele refrigerante gelado. Tudo com preços bem em conta.

Assim como era no velho Maracanã, como é bom um ver o jogo em uma arquibancada de cimento! As pessoas deslocam-semelhor e caso queiram ficar em pé, não sofrem lesões de tornozelo ou hematomascausadas por barras de ferro, como no Engenhão. A proximidade do gramado com aarquibancada foi algo que também me encantou. Nunca xinguei o Léo Moura tão deperto, mas nem foi tão alto, pois ontem o nosso lateral jogou bem, além de que o sol na minhacara me incomodou demais.

Bola rolando e a torcida seempolgava a cada toque de bola do estreante Vagner Love. O jogo foi transcorrendo de maneira aprazível e sem sustos. Ao fim do primeiro tempo já estávamos vencendo com o gol do Deivid (ou podemos chamá-lo de Seu Barriga,pois não recebe há 14 meses). No segundo tempo, veio a bomba de Renato quequase não consegui filmar direito. 




Fim de jogo, vencemos e todos saíram satisfeitosdo estádio, principalmente eu, eufórico pela primeira experiência off Rio. Agoraera curtir a volta com meus companheiros de viagem Nayra, Pedro, Andrezinho e Beni. Resumo da viagem: saí às10 horas da manhã de casa e cheguei as 23:30. Tudo isso para assistir um jogode futebol.

Esse confronto contra o Nova Iguaçu, que certamente sumiria da minha memória em algumas semanas se fosse realizado no Engenhão, tornou-se inesquecível. Pode parecer estranho para boaparte da torcida, principalmente para quem já viajou o mundo acompanhando o Flamengo. Talvez achem boba essa história, pois Macaé é logo ali, mas temcoisas que a lógica não explica. O Flamengo tem esse poder em nossas vidas.Transformar pequenos acontecimentos em verdadeiras epopéias que ficam eternizadas.Fui dormir feliz e sonhando com outra oportunidade de viajar para ver meu timede coração.
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Obrigado à generosidade da minha amiga Marcellinha que viabilizou o meu sonho!
Desculpem, mas quis compartilhar essa historinha com vocês. 

Triste como um gol contra: Fla 1×0 Madureira

Não assisti ao jogo entre Flamengo e Madureira. Não merecordo qual a última vez que fiquei sem acompanhar uma partida, porque vocêssabem como é, a gente organiza a agenda a partir do Flamengo e ainda aplica unsdribles na vida civil quando acontecem os choques de horário entre o Flamengo eo resto. Mas eu havia sido convidado para um churrasco, e me pareceu melhorencontrar os amigos do que acompanhar aquilo que se anunciava: uma vitóriamagra e irritante.
Antes de qualquer coisa: Maldonado, Joel? Sério mesmo? Nãobastasse a fixação por volantes, agora você gosta de volantes aposentados? Ochileno jogou uma barbaridade na reta final do campeonato brasileiro de 2009,principalmente na enfiada no Atlético no Mineirão, mas depois que se contundiuno amistoso entre Chile e Eslováquia, jamais voltou a ser o mesmo. É umarealidade tão dura quanto inegável: a carreira de futebolista de ClaudioMaldonado acabou no dia 17 de novembro de 2009. De lá para cá, é desonesto odinheiro que ele ganha emulando um jogador profissional de alto nível. Burricede quem paga.
Tentei ver a reprise do jogo. Insuportável. Sem a vontadedemonstrada contra o Potosí, o time voltou a ser um bando. Previsível, lento,dependente de armadores que não são armadores. Emblemático que tenha vencidocom um gol contra e com um pênalti chutado nas nuvens.
Certo, Joel não teve tempo de nada. Minha reclamação serestringe à escalação covarde. A esperança é que Love inspire um time com doisatacantes de ofício que permita recuar Ronaldinho para a armação.
Não foi a primeira vez que deixei de ver o Flamengo jogar.Mas foi a primeira vez que não me arrependi.
Flamengo 1×0 Madureira
9 de fevereiro de 2012 – Taça Guanabara
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 2.814 pagantes
Árbitro: Lenílton Rodrigues Gomes Junior
Flamengo: Felipe, Léo Moura, Welinton, David e Junior Cesar;Maldonado, Luiz Antonio, Renato (Camacho) e Bottinelli (Negueba ); RonaldinhoGaúcho e Deivid (Diego Maurício). Técnico: Joel Santana
Madureira: Márcio, Wellington Júnior (Caio Cezar), ThiagoMedeiros, Zé Carlos e Bill; Gilson, Michel Santos, Rodrigo (Leandro Cruz) eAlex; Maciel e Dinei (Fernando Camargo). Técnico: Luiz Claudio
Gol: Thiago Medeiros (contra) aos 7 do 2º tempo.
Obs.: Ronaldinho Gaúcho perdeu um pênalti, chutando porcima, no 2º tempo.

Arco-íris sofre

A pior exibição do Flamengo em muito tempo pode ser creditadaao período de transição, é claro, mas também é herança do período Luxemburgo,que não conseguiu jamais implantar um sentido tático. Jayme, de gloriosacarreira nos gramados, mostrou porque nunca vai passar de auxiliar e manteve oque Luxemburgo vinha fazendo: um time confuso com volantes que erram passesbisonhos. Era a chance de Jayme. Dar uma chacoalhada, sacar Renato Abreu, jogarAirton pra zaga, recuar Ronaldinho para a armação e colocar um garoto ao ladode Deivid no ataque, Lucas talvez. Poderia dar errado? Lógico, seria um timesem treinamento, mas é melhor uma incógnita do que a certeza do futebol estérilde Vanderlei, um treinador que parou no tempo.
Assim, devemos o empate ao travessão e a Felipe, o único ase salvar do naufrágio. Todos os outros foram mal e só Deivid merece escusa,porque não teve jogo onde ele estava. Bottinelli é lento e só funciona com umtime mais rápido, onde sua lentidão se transforma em calma.
O Botafogo é um time tão fraco que quase consegue perderpara esse arremedo de Flamengo. Bottinelli teve duas ótimas chances, Leo Mouraarrematou mal em sua única investida e ainda teve o chute de Renato Abreu notravessão. Claro, todos queríamos o gol, mas é o tipo de lance emblemático queperpetua no time um jogador ultrapassado. Renato sempre foi só seus chutes, eagora eles andam cada vez mais raros. É um preço caro a se pagar por um mau passador.
Despencamos para terceiro. Se quisermos algo na TaçaGuanabara, temos de ir com os titulares contra Madureira e Nova Iguaçu. A bemda verdade, eu não quero nada com a Taça Guanabara, mas iria com os titularesmesmo assim,  para que o novo treineiropossa esboçar algo visando a estreia na fase de grupos da Libertadores.
Novo treineiro, disse eu. É assunto para outro post. Paraeste, fica a conclusão: nem jogando o pior futebol possível conseguimos perderum clássico no Rio. Arco-íris sofre.
foto: Vipcomm
Flamengo 0×0 Botafogo
5 de fevereiro de 2012 – Taça Guanabara
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 8.863 pagantes
Árbitro: Pathrice Maia
Cartão vermelho: Willians
Flamengo: Felipe, Léo Moura, Welinton, David e Junior Cesar;Willians, Luiz Antonio (Muralha), Renato e Bottinelli (Maldonado); Ronaldinho Gaúchoe Deivid (Negueba). Técnico: Jaime de Almeida
Botafogo: Jefferson, Lucas, Antonio Carlos, Fabio Ferreira eMarcio Azevedo; Marcelo Mattos (Lucas Zen) (Caio), Maicosuel, Andrezinho eElkeson (Herrera); Loco Abreu. Técnico: Oswaldo de Oliveira

Pelada de fim de tarde

Sabe aqueles dias em que sua cabeça está focada em problemas e totalmente avessa ao lazer, quando alguém sugere jogar uma pelada? Você para, pensa e como não tem nada melhor, aceita e vai (à meia bomba) cumprir sua jornada sofrida. Assim é o jogo de hoje contra o Olaria. Clima tenso nos bastidores, demissão do Luxemburgo e vinda de Joel Santana praticamente ratificada. Fofocas, fatos e factoides bombando nas mídias e ninguém lembra do jogo pelo Carioquinha. Mas como torcedor rubro-negro gosta de bola rolando, ninguém aqui vai ficar chateado de ver o Mengão em campo mais uma vez.
Já ocorreram grandes jogos contra essa tradicional equipe suburbana, mas na maioria das vezes tiveram esse clima “en passant”. Assim foi também no jogo pelo Campeonato Carioca de 2000. Jogo morno na caminhada rumo ao bi campeonato estadual. Vale a recordação, pois jogos assim, facilmente caem no esquecimento.

Flamengo 2 x 0 Olaria
1 de abril de 2000 – Campeonato Carioca
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 8.294 pagantes. 
Árbitro: William Nery 
Flamengo: Clemer, Maurinho, Juan, Luiz Alberto e Leonardo (Lê); Leandro Ávila, Mozart, Beto (Fábio Baiano) e Iranildo (Lúcio); Reinaldo e Tuta. Técnico: Paulo César Carpegiani 
Olaria: Brás, Leandro (Braga), Deninho (Daniel), Luiz Cláudio e Zinho; Carlos Alberto, Giovanny, Paulo Henrique) e Róbson (André); Cristiano e Marco Aurélio. Técnico: Toninho Andrade 
Gols: Tuta 18 e Reinaldo 27 do 2º tempo.