Descanse em Paz, torcedor!

Caros amigos torcedores,

Todo dia tenho escrito aqui sobre os mais diversos assuntos relacionados ao futebol, tentando de todas as maneiras possíveis dar um alento ao rubronegro. A você torcedor do Flamengo, que como eu ficou esses 28 dias privado de ver o time em campo. Mas também a qualquer amante do futebol. Hoje infelizmente vou dar um tempo nas minhas cornetadas, no meu diário, nos desenhos, nas músicas, em tudo.

Hoje morreu mais um torcedor. Mais uma morte no futebol. Infelizmente um dia depois do centenário do nosso futebol temos mais um torcedor morto. Brutalmente assassinado. Outro amante do futebol covardemente aniquilado por supostos torcedores. Penso que não deveríamos jamais chamar um assassino de torcedor. E temos que lamentar mais uma morte relacionada às “torcidas organizadas”. Faz poucos dias escrevi do bacana que era a rivalidade entre Flamengo e Vasco antigamente. Escrevi que lamentava a morte do vascaíno Dicró.

Sinceramente não me importa mais ou menos por ser rubronegro ou por pertencer a esta ou aquela facção. Não posso falar de futebol diante de um fato como este. Só posso lamentar e torcer para que não seja mais uma morte sem justiça. Que não seja só mais um número para as tristes estatísticas de violência relacionada ao futebol no Brasil. Não posso admitir que por usar umas cores alguém possa ser assassinado friamente diante de várias testemunhas. Não quero mais escutar esse silêncio, essa indiferença. O cara morreu! Não é normal! Não tem nada mais importante hoje a ser noticiado, comentado, discutido, lamentado sobre futebol!

Só posso torcer para que a sociedade encontre um caminho para solucionar isso. Que não sejam as mesmas medidas hipócritas de cada temporada. Que haja uma verdadeira mudança de mentalidade e atitude entre autoridades e torcidas. O nosso centenário e alegre futebol merece isso. Nossos estádios cada dia mais vazios pedem isso. A Copa do Mundo de 2014 clama por isso. Que assim seja, ou todos assistiremos pela TV o fim do futebol no “País do futebol”.

Fica aqui o meu dia de silêncio.

Descanse em paz, torcedor!

Saudações rubronegras,
Um torcedor.

28 Dias Sem Flamengo – Sete de Setenta e Oito – Dias 06 e 07

Desgraçado diário,

Hoje é domingo dia 29 de abril. Ando pensando muito no tempo. No tempo que a diretoria do Flamengo perde a cada ação, a cada declaração, a cada segundo. No paso atrás no tempo que cada ação dessas significa. Nos timelapses que podia estar fazendo enquanto escrevo sobre Patética Amadora e sua turma. No tempo que falta pros livros sobre o Flamengo chegarem às minhas mãos. No tempo que dedico a esse blog e ao Flamengo.

Também penso: para que escrever sobre o dia de ontem se hoje é um domingo. Domingo é dia de ver o Flamengo. Domingo, 29 de abril. Daí resolvi fazer uma viagem no tempo. O que aconteceu de relevante na história do Flamengo num dia 29 de abril? Para estas horas é bacana fazer uma busca na Flapédia, no Flaestatística e no Flamuseu.

Eu sou um verdadeiro desastre para datas. Sou capaz de esquecer que esse 29 de abril é também aniversário da minha irmã. Acho que é uma maldição por eu ter nascido no dia 07/07/1977 (aniversário do primeiro Fla-Flu). Por eu ter essa data fácil acho difícil lembrar qualquer outra. Ainda bem que para isso existem os livros, os historiadores, as hemerotecas, a Wikipédia, a Flapédia, os blogs como o Flamuseu…

Daí você descobre que é aniversário do Fábio Luciano e da nadadora Joanna Maranhão. Até o calendário está me provocando? Aliás parabéns ao time de natação campeão do Troféu Maria Lenk. Acho injusto torcer contra gente que rala pelas cores do time. Parabéns até à vereadora Patrícia Amorim por alcançar esse objetivo. Gostei da declaração dela. Ela tem toda razão quando diz que não acreditamos no trabalho dela. Continuo sem acreditar. Aliás é tanta besteira que leio sobre o Flamengo que prefiro não acreditar em nada…

Prefiro sonhar com o dia que o Maria Lenk será nosso. Não o troféu, mas o complexo de piscinas onde treina o César Cielo. Quem sabe assim podemos destruir as piscinas da Gávea e contruir outra coisa lá. Mas isso é um sonho, a realidade são essas notícias surrealista que saem mais rápidas que o twitter. Nem perdo o tempo de listar nada hoje, estou de folga de baboseira. De bom só a goleada da molecada sobre o Nova Iguaçu: 11×0. Rola até um arrepio só de ver o manto sagrado em campo. E o Jean Chera calou minha boca com aquele golaço de falta. Boa, moleque. Continue assim…

Fuçando mais sobre o 29 de abril descobri que hoje é o aniversário da nossa primeira derrota pro Vasco. Em teoria seria o primeiro jogo entre as equipes mas a Flaestatística contesta isso. Para eles o Flamengo teria vencido o primeiro jogo entre as equipes no dia. É bacana que até nisso exista rivalidade. Infelizmente, na rua Payssandu não existe lembrança daquele campo. Pelo menos não encontrei nada. Também acho que não existe nada no Bar Lamas, no largo do Machado, onde fundaram o Flamengo.

C.R. Flamengo 1 x 3 Vasco da Gama
Campeonato Carioca – 1º Turno
29/04/1924 – Estádio: Rua Paysandu – Rio de Janeiro
Time: Ibere, Penaforte, Telefone, Japonês, Odilon, Dino, Orestes, Sidney Pullen, Nono, Junqueira e Benevenuto.
Gol: Junqueira.

C.R. Flamengo 1 x 0 Vasco da Gama
Torneio Início
26/03/1922 – Estadio: Laranjeiras – Rio de Janeiro
Time: Kuntz, Telefone, Penaforte, Rodrigo, Sidney Pullen, Dino, Galvão Bueno, Candiota, Nonô, Segreto e Orlando.
Gol: Segreto

90 anos vira notícia que o Galvão Bueno se declarou rubronegro. Grandes merdas! O verdadeiro Galvão Bueno jogou no Flamengo nos anos 20 e destroçou o bacalhau por primeira vez! Outro dia foi aniversário da pior derrota que já sofremos pro Vasco também. Imagina o que devem ter sofrido Floriano, Leo, Helcio, Flavio Costa, Penha, Fonseca, Darci, Adelino, Vicentino, Elói, Nelson, Alvaro e Cassio.

C.R. Flamengo 0 x 7 Vasco da Gama
Campeonato Carioca – 1º Turno
26/04/1931 – Estádio: São Januário – Rio de Janeiro
Time: Floriano, Leo, Helcio, Flavio Costa, Penha(Fonseca), Darci, Adelino, Vicentino, Elói(Nelson), Alvaro e Cassio.

Será que sentiram a mesma coisa que Felipe, Leonardo Moura, Marcos González, Welinton, Junior Cesar, Luiz Antonio Renato, Muralha, Bottinelli, Kléberson, Negueba, Ronaldinho Gaúcho, Vagner Love e Deivid no domingo passado? Não sei, mas sei que já comemoramos vitórias nos 29 de abril. Por exemplo wm 1936 goleamos por 9 x 2 o poderoso Villa Joppert. Num dia 29 de abril também celebramos um bicampeonato carioca invicto. Com dois gols de Zico sobre o Botafogo. Aliás se tivéssemos repetido a campanha do ano passado hoje era dia de ser campeão invicto outra vez. Mas temos que ver um clássico sem cor pela tv. Nada, prefiro voltar a 1984 e rever Flamengo vencendo Corinthians num 29 de abril. Foi o ano que eu mudei pro Rio de Janeiro. Onde será que eu estava esse dia?

Imagina Zico e Gera…

Vendo essas velharias reparei que no passado dia 16 de abril Geraldo faria 58 anos. Leia aqui (em espanhol) uma história em quadrinhos que fiz em homenagem ao Geraldo. É curioso que o Vasco também esteja ali presente. Uma vitória e uma derrota. Recomendo ler escutando essa pérola do Arnaud Antunes (parceiro do vascaino Chico Anísio) que me inspirou muito para desenhar a história do Geraldo. Imagina Zico e Gera…

Terminou de ler? Curtiu? Escreva nos comentários, divulgue para outros rubro negros. Você tem algum desenho sobre o mengão, alguma história em quadrinho? Manda pra gente um email.

Boa dominguêra pra vocês!

PS: Aos rubronegros amantes de sua história não percam esse evento do Museu do Flamengo na sede da gávea. Dia 03 de maio. com lançamento da marca do centenário.

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

28 Dias Sem Flamengo – O Bom de bola – Dia 04

Desgraçado diário,

estou de luto pela morte do vascaíno Dicró. Eu não acho nada bonito fazer piada de morto. Além disso o cara tinha umas músicas bacanas e foi parceiro do rubronegro Bezerra da Silva. O bom da morte dos artistas é que você vai atrás da obra do cara quando ele aparece difunto no twitter. Pois olha que curioso, achei uma música dele para aumentar minha discografia de Música Popular Brasileira Futebol Clube. O pobre Dicró até chama o Zico de pinto mas vamos dar um desconto pro cara. Ouve aí “O Bom de bola”.

O Bom de Bola by Dicró on Grooveshark

Veja só que o que eu acho bonito do futebol carioca é esse jeito de todos se sacanearem sem cair na porrada. Eu nasci em Goiânia e tenho visto como a rivalidade futebolística tem causado mortes na minha cidade. Vendo esses triste números me pergunto se Goiânia já não é a capital campeã brasileira de mortes por habitante. Não basta a gente ter o Cachoeira, o Demóstenes, o Marconi, as duplas sertanejas e o Césio 137? Temos que ter torcedores do Goiás matando os do Vila Nova e vice versa?

Por isso fico triste quando fico sabendo que morreu o Dicró, ou que morreu o também vascaíno Chico Anísio. Porque são torcedores da época em que as torcidas rivais jogavam peladas na geral do Maracanã. E se a gente analisa os números dessa pesquisa dá até para ficar melancólico. O Carioqueta, amigos, é um morto vivo. Pois no futuro serão 6 rubronegros para cada 10 cariocas. 6 rubronegros para cada arco-íris? Vamos ficar sem rivais no Rio de Janeiro…

Só os comentários dessa pesquisa me recuperam o humor. É engraçado ver os vascaínos tentando defender o seu orgulho esbravejando contra os números. Também achei engraçado constatar que Fluminense e Botafogo tem empate técnico com os que não torcem por time nenhum. Gente esperta. Não gosta do Flamengo? Então é melhor não gostar de futebol não torcer pra ninguém.

Por falar em não gostar de futebol… Hoje eu finalmente fui ao mercado. Eu adoro morango. Meu pai me chamava de Morangustavo quando eu era pequeno. Qualquer coisa eu queria de morango. Iogurte? De morango. Sorvete? De morango. Picolé? De morango. Balinha? De morango. Pizza? De morango! Injeção na testa? Morango… Uma vez cheguei ao cúmulo de pedir morango com creme sem morango. Meu negócio era pedir morango. Pois hoje me empolguei com o preço dos morangos e trouxe um quilo de morango pra casa. Claro, porque li na plaquinha um quilo – 1 euro e vi o paraíso. Que erro mais idiota. Comprei morango demais pra duas pessoas pela sugestão da placa e nem reparei que metade dos morangos estava vermelha mas a outra negra. Pequei por idealizar os morangos.
Voltando ao futebol. O Flamengo vai ao mercado como eu. Com fome, com sono, sem lista de preços, sem idéias claras, óculos ou dinheiro no bolso. E compra pensando na linda idéia de jogador rubronegro que “a torcida gosta”. Wiliams vai embora pra Udinese? Legal, os caras já foram bem melhores nisso de contratar jogadores. Acho bom pro Wiliams, bom pro Flamengo. Vai com fé Pitbul! Mas não faça como outros que depois ameaçam, ameaçam e acabam voltando. Ontem já tinha discussão no twitter. Ibson no meio? Ibson volante? Ibson armador? Esqueçam a tática em 2012. Quer tática? Vai ler sobre o Barcelona no Olho Tático. Ibson vem só tirar uma foto com Vossa Excelência, a Patética Amadora.

A tão arrotada renovação é uma grande piada. É sério mesmo que estão querendo me vender um Flamengo novo com Joel Santana, Kléberson e Ibson? Eu pensei que renovação era pensar em 2013, 2014, 2015… Mas caminhamos em direção a 2008. E só pela troca por Galhardo e David já devemos aumentar em dois anos nossa altíssima média de idade. Que maravilha. Daí vem a notícia que o Fábio Luciano bla bla bla. Outro que nos abandonou naquele fatídico jogo contra o América do México? Estão de brincanagem?! Se ele amasse tanto o Flamengo teria feito sua camiseta vintage pela Braziline, com o CRF bordado no peito e estaria ajudando a arrecadar royaties para o clube.

O que dizer do Joel Santana indicando diretor executivo. Adorei! Se o time escolhe o ténico, o técnico tem direito a escolher o chefe também. Quem sabe seguimos a corrente e um vice-presidente escolhe trabalhar com outro presidente. Extra! Extra! Deu no Piauí Herald! Patrícia Amorim nega ter assumido o Barcelona!!!

É isso aí, galera. Por hoje deu. Fui assitir o Atlético – Valência antes de dormir. Já que não passavam o Athletic – Sporting eu pelo menos escutava o resultado e torçia um pouco pelo time do Bielsa. Foi sofrido mas o Athletic passou. Vi no twitter um comentário que resultou numa breve conversa com @NicolasNardini , jornalista argentino que viveu em Barcelona, trabalho na Gol Televisión, colaborou como eu no especial sobre o Flamengo para revista Panenka (entrevistando nada menos que o Zico) e atualmente vive no Rio de Janeiro.

@nicolasnardini: El gesto d #Bielsa apurando a Ander para q saliera (cuando otros mediocres le pedirían q hiciera tiempo) es la imagen q dignifica al fútbol
@nicolasnardini: Cómo me gustaría ser vasco por un rato, solo para vivir la fiesta que se debe estar liando en ese maravilloso país. #LokoBielsa
@nicolasnardini: Bielsa y este fenomenal #Athletic nos llevan a creer que se puede soñar con volver a la esencia del fútbol, esa q muchos pretenden destruir
@rubrunegru: Soy super fan de Bielsa. Ojalá viniera al Mengão.
@nicolasnardini: Un crack, arreglaria muchas cosas. Sobre todo la falta de compromiso y seriedad. Abrazo!

Vou ali sonhar, porque é grátis e queima calorias.

Buenas noches! Hasta Mañana!
Saludos Rojinegros!

Ps: Eu tinha uma pelada essa noite, só que não me ligaram. Como assim? Se eu sou “O bom de bola”?!
Ps2: Parabéns ao Neuer pelo dia do goleiro!

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

A arte da vingança

A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena. Quem nunca ouviu essa frase do lendário seriado Chaves? Uma frase carregada de bons valores e de sentimentos nobres. Mas que se foda o Chaves e a pureza da alma! Com o Mengão não tem essa não. Gostamos de nos vingar, com requintes de crueldade. Vamos a alguns exemplos da desumanidade rubro-negra:

Botafogo nos ganhou por 6 X 0 em 1972 e nos vingamos em 1981 e aplicamos os juros em 1985. Palmeiras nos eliminou em 1979 e no ano seguinte foi o nosso troco. Vasco tirou onda com o gol do título de 1988 de um tal Cocada e a nossa desforra dura até hoje: nunca mais ganharam uma final da gente.

E o jogo que recordaremos hoje é sobre outra vingança à nau portuguesa. Nesse mesmo ano de 1988, Flamengo e Vasco se enfrentaram seis vezes. Vencemos a primeira partida e perdemos as outras cinco, para delírio dos vascaínos que entoavam a todo canto que haviam feito a quina e blá, blá, blá… Todas essas derrotas foram em um intervalo de tempo de quatro meses.

Incomodava-me demais essa marca negativa, ainda mais para um time de Portugal. Mas nossa vingança tardaria, mas chegaria. Ela começou a acontecer no ano de 1990. Vencemos o Vasco por 1 x 0 pelo Campeonato Brasileiro daquele ano, com gol do novato Nélio. A segunda vitória foi no Brasileirão do ano seguinte, que foi antecipado para o primeiro semestre. Vitória acachapante por 3 x 0. Depois veio a Taça Estado do Rio de Janeiro, onde ganhamos por 2 x 0, com dois gols de Marcelinho. A quarta vitória foi na Taça Guanabara, de virada por 2 x 1, com o centroavante Gaúcho tirando onda de Seu Boneco da escolinha do Professor Raimundo.

Finalmente chegava o jogo que concretizaria a vingança. A partida valia pela Taça Rio de 1991 e o Flamengo vinha fazendo uma campanha impecável no segundo turno, disputando ponto a ponto com o Botafogo a conquista da competição. Esse jogo também foi marcado pela inauguração do primeiro bandeirão do Flamengo, confeccionado pela Torcida Jovem. Ainda está viva em minha memória, a imagem daquela enorme bandeira sendo desfraldada para delírio do lado rubro-negro e silêncio da atônita torcida vascaína.

Além da motivação pela liderança e da oportunidade de vingar-se três anos depois, enfrentar o baiano Bebeto sempre era um ingrediente a mais para o clássico. O jogo teve amplo domínio do Flamengo, que possuía um timaço. Gaúcho e Júnior estavam no auge e a torcida estava em sintonia com a evolução do time. Verdadeiro espetáculo na arquibancada, com coreografias sincronizadas e alegria incontrolável. À medida que os gols saíam e a forra se concretizava, o êxtase ia tomando conta da atmosfera rubro-negra. A sensação de alívio ao tirar aquele incômodo fardo era sublime. A quina agora era nossa e ainda mais bela, pois não foi feita em jogos subsequentes, onde uma má fase explica, e sim em quatro torneios diferentes. A vingança foi digerida friamente, assim como o ditado sugere.

Hoje pela Taça Rio 2012, mais um clássico dos milhões agita as torcidas. Se o Bacalhau for esperto e ligado na história sabe que logo mais pode ser de novo vítima da envenenada alma rubronegra. Porque Deivid está sinistro, com sede de revide e também não está nem aí pra lição de moral de seriado mexicano.

Flamengo 2 x 0 Vasco da Gama
24 de novembro de 1991 – Campeonato Carioca
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 42.734 pagantes
Árbitro: Claudio Vinícius Cerdeira
Flamengo: Gilmar, Charles Guerreiro, Gotardo, Júnior Baiano, Piá, Uidemar, Júnior, Nélio (Marquinhos), Zinho, Paulo Nunes (Fabinho) e Gaúcho. Técnico: Carlinhos
Vasco: Carlos Germano, Dedé, Torres, Missinho, Cássio, França, Luisinho, Bebeto, Sorato (Mauricinho), Bismark, William. Técnico: Antonio Lopes
Gol: Zinho, aos 36 do 1º tempo e Fabinho, aos 10 do 2º tempo.

Bacalhau à moda Rubro Negra

 

Sou ateu, graças a Deus, mas confesso que gosto das fábulas da páscoa. A do cara que é crucificado e ressuscita, a do amigo-da-onça que trai o cara com um beijo maldito por trinta dinheiros, o daquele povo perdido em busca da terra prometida, a do velhote da táboa com idéias polêmicas que atravessa o mar vermelho a pé… Deve ser culpa das sessões da tarde e da mistura psicoestimulante de chocolate com aqueles efeitos especiais tão maneiros. E vocês, vão me dizer que não vibram cada vez que o velho Moisés abre o mar em dois?!?

Pois minhas aulas de religião serviram para alguma coisa foi para saber que todos essas fábulas falam da mesma coisa. Conforme a própria origem da palavra páscoa são histórias de transformação, de superação, de sacrifício e de passagem. Histórias de gente que rala e consegue o impossível. Pergunta pro tal coelho que conseguiu botar um ovo de chocolate.

Não é difícil usar esses mitos milenares e universais pra fazer analogias. Se Deus existisse seria a Patrícia Amorim: não tem a menor idéia do que está fazendo, manda menos que o Diabo e ainda é capaz de mandar o próprio filho para cruz se o coitado for mais famoso e amado do que ela. O Judas sem dúvida seria o Ronaldinho, aquele que se vendeu por trinta dinheiros e que esteve presente na ressurreição do crucificado Deivid. E o velhote Moisés? Acho que é o Joel mas nossa ida à terra prometida (as oitavas da Libertadores) parece mesmo precisar de um milagre.

O primeiro milagre Joel já fez. Ele conseguiu dividir o Mar Vermelho e Preto em dois. Os que no sábado de aleluia torciam pelo Flamengo e os que torciam contra, com a esperança de com a derrota as mudanças se farão mais urgentes. Ora, amigos rubro negros, é nessas horas apocalípticas que devemos estar unidos e ter coragem. Isso mesmo, coragem. Na língua oficial da Libertadores da América, un par de huevos. E na língua do Rondineli catalão, Carles Puyol, um par de pebrots (pimentões). Ovos ou pimentões são portanto ingredientes impescindíveis das , aquelas que acontecem exatamente quando tudo parece estar perdido.

Por isso é um pecado desperdiçá-los. Jamais o faça, irmão rubro negro. Jogar um ovo, símbolo da vida, para agredir a nossos soldados só pode ferir a alma da nossa enorme Família Urubu. Ainda mais quando tem tanto rubro negro esfomeado por aí. (Vagner Love, deixa de ser fominha!) Esse ovo podia estar alimentando o grito de mais um rubro negro, e empurrando o time a mais uma vitória impossível. E são essas vitórias as que reúnem as famílias para comer bacalhau num domingo qualquer como o da Páscoa.

Por isso eu criei uma receita especial para a família rubro negra, feita com bacalhau destroçado. Em homenagem ao nosso rival Vasco, sempre de molho, pronto para o consumo. É uma receita típica catalã adaptada ao gosto rubro negro. Além de serem a terra do F. C. Barcelona, a Catalunya tem uma culinária especializada em fazer grandes maravilhas com o uso minimalista de seus ingredientes mediterrâneos. Nada muito diferente, nem muito elaborado, mas tudo delicioso. Que sirva de inspiração para o gourmet Joel Santana, especialista em macarrão com salsicha. Que mantenha fechada a boca do vomitivo Zé (Marín) das Medalhas, nem que seja por alguns minutos, afinal saber cozinhar deveria ser motivo de orgulho para todos os homens e mulheres. E que sirva para a Nação se purificar, se unir e repor as energias para o desafio de quinta-feira.

Se você não acredita no time, está de saco cheio com a diretoria, com a nossa presidenta, vá ao estádio. Sim, vá ao estádio por mim, que estou a mais de 9 mil quilômetros do meu Mengão. Sim, vá ao estádio pela Nação Rubro Negra. Afinal seus irmãos rubro negros sofrem os mesmos flagelos que você nesse momento e estão loucos para cantar ao teu lado. E que Zico todo poderoso nos traga mais um delicioso milagre.
Bon profit, Nació Vermella i Negra!

Rir pra não chorar…

Nessa má fase, o ódio está me consumindo. O que já praguejei de gente essa semana não está no gibi. Se minha praga fosse eficiente, Patrícia Amorim, Joel, Ronaldinho e companhia estariam em outro plano espiritual. Sorte deles é que nem para isso presto.
Queria postar algo legal para esse Flamengo e Vasco, mas não sei fazer oba-oba, muito menos poesia. Para amenizar e tentar relaxar um pouco, lembrarei de um jogo “esquecível” do ano de 2003. Era aniversário de 53 anos do Maracanã e a torcida do Vasco estava em maior número. Os dois times estavamem péssima fase, mas o Flamengo havia acabado de perder a Copa do Brasil para o Cruzeiro. Nada de muito legal, porém o jogo foi recheado de cenas engraçadas. Vale à pena dar uma conferida no vídeo, pois além de dar boas risadas, talvez venha deixá-los menos revoltados.

Hoje o cenário é mais ou menos o mesmo. Torcida do Vasco mais animada e a do Flamengo desmotivada. Mas a gente já sabe quem sempre sorri por último.

Flamengo 2 x 1 Vasco
15 de junho de 2003 – Campeonato Brasileiro
Estádio do Maracanã
Público: 13.920
Árbitro: Jorge Rabello
Flamengo: Diego, Luciano Baiano, Fernando, André Bahia, Cássio, Fabinho, Jônatas, Fabiano Eller, Igor (Ibson), Zé Carlos, Jean(Vinícius Pacheco). Técnico: Nelsinho Batista.
Vasco: Márcio, Russo (Claudemir), Wescley, Wellington Paulo,Wellington Monteiro, Da Silva, Rodrigo Souto (Morais), Marcelinho Carioca, Souza (Ely Thadeu), Cadu, Marques. Técnico:Antônio Lopes
Gols: Cadu aos 9, Zé Carlos aos 12 do 1º tempo e  Cassio aos 43 do 2º tempo.

Vasco 2×1 Flamengo: Me dei ao luxo de ser corneta!

Em quarta feira decinzas o clima ainda era de folia, nada melhor que assistir um Flamengo XVasco. E o jogo foi digno de espetáculo. Duas equipes dispostas a levar. Ederam todo gás. 
Dias antes euainda proferi: não me preocupo com a escalação de Joel, apenas porque oadversário é o vice! Pretensão? Ou costume de sempre levar em clássicos? 
Jogo iniciado e oFlamengo lindamente faz a festa. Logo de saída gol impecável do predestinadoLove. O cara chegou com toda raça, e diz a que veio!
Ele sabe qual ovalor e o peso do manto. Love é jogador do Rubro Negro. Nasceu pra estar ali.Faz parte de sua essência o amor ao Mengão. E isso dá gosto de ver. 
Flamengo atuandocom melhores jogadas… e Vasco atuando com melhores finalizações. 
Diante do primeirogol sofrido, a equipe cruzmaltina chamou a responsabilidade. 
Tivemos duasequipes jogando a todo vapor. 
Joel se eximiu dequalquer responsabilidade. Pois em campo tivemos diversas chances perdidas, porfalta de raça de ir lá buscar.  
Felipe apesar deboa atuação, me deixou boquiaberta com as defesas bizarras. Não apenas uma, maspor várias vezes espalmou a bola dando chance ao azar. O rebote erafácil. 
E na sucessão deerros, eis que Deivid comete o inacreditável. Ainda tem algo a comentar sobreeste assunto? Um jogador que sai aplaudido pela torcida adversária, nãocabe mais nada nessa resenha. 
Eu no lugar delesimularia um desmaio, permaneceria jogado no chão até a ambulância me retirarde campo. Vergonha é pouco. O ocorrido ali não tem nome. 

Fica difícil nãocolocar na conta dele o fato de não ganharmos ontem. Mas a verdade é que estegol perdido não seria garantia de vitória. Pois a cada ataque nosso, o Vicereagia. 
R10 não me dáalternativas a não ser criticas. Ele é craque, sempre foi. Mas é jogador queprecisa de um time jogando para ele. Ele é jogador que faz graça, que éimportante, porém anda apático. 
Entra em campo enão faz a menor diferença. Não chama pra ele a responsabilidade. Custobeneficio não está legal. Qual foi o jogo que R10 fez a galera pirar naarquibancada? Que levantou o estádio? Se alguém lembrar me avise, porgentileza. 
Entrosamento não éa palavra que defina atual equipe do flamengo. E se antes, com Luxa,reclamávamos da falta de jogadores na base sendo iniciados no time principal,com Joel podem esquecer essa possibilidade. Nem ao banco ele trás os garotos.Se ele acha que Luis Antonio foi mal nos dois últimos jogos, qual a definiçãopara Deivid? 
Resumo da opera…ganhar do vice sempre é bom. Tem gostinho de deboche! Hoje eu estaria muitomais abusada! Mas fazer o Vasco vice do Botafogo ou Flu…não tem preço! Queassim seja. 
Que atire aprimeira pedra quem nunca cornetou!

Cella 
#NadaImportaSemOFlamengo

Vasco 2x1Flamengo
22 de fevereirode 2012 – Taça Guanabara
Estádio doEngenhão – Rio de Janeiro
Público: 18.305pagantes
Árbitro: LuísAntônio Silva dos Santos
Flamengo:Felipe Leo Moura (Galhardo), Gustavo,Welinton e Junior Cesar; Aírton (Negueba),Willians, Renato Abreu e RonaldinhoGaúcho; Vagner Love e Deivid (Bottinelli).Técnico: Joel Santana
Vasco: FernandoPrass, Fagner, Rodolfo (Renato Silva),Dedé e Thiago Feltri; Nilton, FellipeBastos, Juninho Pernambucano (Felipe) eWillian Barbio (Kim); Diego Souza eAlecsandro. Técnico: Cristóvão Borges
Gols: VágnerLove aos 2 e Alecsandro aos 14 do 1ºtempo; Diego Souza aos 32 do 2º tempo.