Cenas dos próximos capítulos

Patrícia Amorim e Ronaldinho antes do conturbado romance acabar Foto: Vipcomm

É possível encontrar erros ou culpados para o enredo Rubro Negro da semana? Naturalmente entraremos na era de caça as bruxas, com muitos acusados muita fala e pouca ação.O que posso concluir é que tal ocorrido mais parece algo já premeditado. Articulado para acontecer no momento oportuno.

E aconteceu. Mas podemos atribuir essa responsabilidade ao jogador? Você trabalha sem receber?Se no âmbito do processo inicial de contrato do jogador foi estabelecido um valor fora da esfera financeira do clube, não cabe ao jogador a responsabilidade de não cobrar pelo que foi acordado. E sim à entidade de se resguardar e readequar seus modelos de trabalho e contratação.

R10 nada mais foi que uma tentativa frustrada de criar um novo ídolo pós episódio Bruno. Porém criar a imagem de um ídolo depende de uma série de postura do departamento de publicidade e imagem do clube, o qual sabemos que não funciona. Criou-se uma expectativa em cima de um jogador e atribuíram a ele a responsabilidade de fomentar a receita rubro Negra. Mas pelo que consta em contrato, sua atividade se limita dentro das quatro linhas. E isso não podemos contestar que ele vez de maneira plausível , não sendo possível jogar por 11.

A desorganização e falta de comando reflete dentro de campo. O mau comportamento contamina. A falta de punição dissemina o estrelismo e por este caminho nos expõe à decadência.Não parto em defesa ao jogador, mas não atribuo a ele toda culpa. É como dentro de qualquer organização.

O bom funcionário é reconhecido, o funcionário sem comando não leva a sério e o mau funcionário é demitido. Em uma instituição séria, medidas legais já teriam sido tomadas a partir do momento em que o desrespeito e falta de entrega comprometesse o resultado do coletivo. Não obstante, nossa “agremiação” oferece subsídios para ser condenada. Inversão do ônus da prova.

Enquanto estiver no comando de tudo, a mandatária sem sal, sem respeito e sem amor a entidade,a tendência é vivermos de páginas de fofoca.Se ela entendesse de fato o sentido da frase: O flamengo é maior que tudo. Talvez sentisse vergonha do mal que fez ao Rubro Negro. Mas ao contrário disso, ela se aproveita de forma leviana e oportunista. No saldo final os maiores impactados somos nós, torcedores. E pra quem ficará essa divida?

Só nos resta esperar.

Marcellinha Miranda – @MarcellinhaRJ
#NadaImportaSemOFlamengo

28 Dias Sem Flamengo – Trabalho um dia a mais – Dia 09


Desgraçado diário,

Hoje acordei com muita vontade de trabalhar. Você deve saber que hoje é aquele dia que trabalhadores do mundo inteiro saem às ruas com bandeiras rubronegras para reivindicar melhores condições de trabalho. Hoje é também o 18º aniversário da morte do Airton Senna. Para quem é muito novo Airton Senna foi um o último piloto brasileiro de Fórmula 1 do Brasil, mais conhecido por popularizar aquela melodia enjoada que os torcedores do Flamengo cantam com as palavras “Raça, amor e paixão”.

É isso mesmo, camaradas, hoje não tem refresco. Se a melodia é chata a letra é muito ruim! Eu prefiro mil vezes o “Conte comigo Mengão” que inspirou o nome desse blog. Canção que aliás foi feita a partir de um hino da UNE. Do tempo que a União dos Estudantes do Brasil não servia só pra tirar carteirinha. Reparou que o certo é “conte comigo Mengão”? O Flamengo conta com você! Quem canta é a torcida.

Pois é, já houve um tempo em que o Flamengo foi mais democrático. No Fla-Flu das diretas, por exemplo. Hoje em dia o que vemos é uma total perda de valores. Vamos ouvir o que Vossa Excelência, Patética Amadora tem a dizer sobre o trabalho:

A resposta é trabalhar. Estou contente de ter ido para os playoffs do basquete, desde que eu assumi não perdemos uma regata, são 14. E, no futebol, às vezes o resultado vem e, em outras, não vem. E a crítica vem de quem não acredita no trabalho. E uma hora meu trabalho vai dar resultado.

Repito que a vereadora tem toda a razão. Não acreditamos no seu trabalho. Não acredito aliás nos dois sentidos da palavra. Não acredito que dê resultados positivos no futebol. O que esperar de Joel, Cascão, Ronaldinho e agora Ibson… Cada dia que passa a lista de escudos-humanos dela aumenta e voltamos mais no tempo rumo à 2008. O que significa que basta o parquinho estar com a pintura nova. E não acredito que têm a cara-de-pau de publicar o balanço patrimonial numa segunda-feira enforcada entre a enésima vicelada do bacalhau e o Dia do Trabalho.

Dia do Trabalho que aliás o nosso capitão celebrou fazendo migué. Ótimo dia para dar férias permanentes ao Ronaldinho e eleger o Deivid presidente do sindicato dos jogadores do Flamengo.

E o nosso sindicato? O sindicato dos torcedores? Os que deviam nos representar e cobrar da vereadora explicações para a crescente dívida do clube, os péssimos resultados no futebol, a suruba dos cartões coorporativos, etc? Dá pra ver que o forte dessa galera não é a democracia, pois quem pede Imperador e clama pelo Paredão… Mas não acredito que estejam no aeroporto para receber os caras que nos eliminaram da Libertadores. Esses caras não me representam, que fique claro. Se me representassem não estariam passando recibinho pro patético tri-vice, estariam na Gávea cobrando mudanças. Mas mudanças reais, e não essa camada de esmalte vagabundo que estão passando no Flamengo.

Desde que esse sindicato passou a ser composto por torcedores profissionais remunerados eles fazem muito bem o seu trabalho: o silêncio. Esses caras deviam ter vergonha de usar a palavra paixão naquela musiquinha. Primeiro porque pôr “amor” e “paixão” no mesmo verso é de dar vergonha até às duplas sertanejas. Depois porque se você é remunerado para ficar calado não me fale de paixão.

Até porque esse lema ficaria muito melhor assim.

Ilustração: Gustavo Berocan

E para terminar dedico a você torcedor que “come um prato a menos, e trabalha um dia a mais só pra ver o meu Flamengo” essa música do Marcos Valle: Flamengo até morrer.


Feliz Dia do Trabalhador Rubronegro!

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

Bacalhau à moda Rubro Negra

 

Sou ateu, graças a Deus, mas confesso que gosto das fábulas da páscoa. A do cara que é crucificado e ressuscita, a do amigo-da-onça que trai o cara com um beijo maldito por trinta dinheiros, o daquele povo perdido em busca da terra prometida, a do velhote da táboa com idéias polêmicas que atravessa o mar vermelho a pé… Deve ser culpa das sessões da tarde e da mistura psicoestimulante de chocolate com aqueles efeitos especiais tão maneiros. E vocês, vão me dizer que não vibram cada vez que o velho Moisés abre o mar em dois?!?

Pois minhas aulas de religião serviram para alguma coisa foi para saber que todos essas fábulas falam da mesma coisa. Conforme a própria origem da palavra páscoa são histórias de transformação, de superação, de sacrifício e de passagem. Histórias de gente que rala e consegue o impossível. Pergunta pro tal coelho que conseguiu botar um ovo de chocolate.

Não é difícil usar esses mitos milenares e universais pra fazer analogias. Se Deus existisse seria a Patrícia Amorim: não tem a menor idéia do que está fazendo, manda menos que o Diabo e ainda é capaz de mandar o próprio filho para cruz se o coitado for mais famoso e amado do que ela. O Judas sem dúvida seria o Ronaldinho, aquele que se vendeu por trinta dinheiros e que esteve presente na ressurreição do crucificado Deivid. E o velhote Moisés? Acho que é o Joel mas nossa ida à terra prometida (as oitavas da Libertadores) parece mesmo precisar de um milagre.

O primeiro milagre Joel já fez. Ele conseguiu dividir o Mar Vermelho e Preto em dois. Os que no sábado de aleluia torciam pelo Flamengo e os que torciam contra, com a esperança de com a derrota as mudanças se farão mais urgentes. Ora, amigos rubro negros, é nessas horas apocalípticas que devemos estar unidos e ter coragem. Isso mesmo, coragem. Na língua oficial da Libertadores da América, un par de huevos. E na língua do Rondineli catalão, Carles Puyol, um par de pebrots (pimentões). Ovos ou pimentões são portanto ingredientes impescindíveis das , aquelas que acontecem exatamente quando tudo parece estar perdido.

Por isso é um pecado desperdiçá-los. Jamais o faça, irmão rubro negro. Jogar um ovo, símbolo da vida, para agredir a nossos soldados só pode ferir a alma da nossa enorme Família Urubu. Ainda mais quando tem tanto rubro negro esfomeado por aí. (Vagner Love, deixa de ser fominha!) Esse ovo podia estar alimentando o grito de mais um rubro negro, e empurrando o time a mais uma vitória impossível. E são essas vitórias as que reúnem as famílias para comer bacalhau num domingo qualquer como o da Páscoa.

Por isso eu criei uma receita especial para a família rubro negra, feita com bacalhau destroçado. Em homenagem ao nosso rival Vasco, sempre de molho, pronto para o consumo. É uma receita típica catalã adaptada ao gosto rubro negro. Além de serem a terra do F. C. Barcelona, a Catalunya tem uma culinária especializada em fazer grandes maravilhas com o uso minimalista de seus ingredientes mediterrâneos. Nada muito diferente, nem muito elaborado, mas tudo delicioso. Que sirva de inspiração para o gourmet Joel Santana, especialista em macarrão com salsicha. Que mantenha fechada a boca do vomitivo Zé (Marín) das Medalhas, nem que seja por alguns minutos, afinal saber cozinhar deveria ser motivo de orgulho para todos os homens e mulheres. E que sirva para a Nação se purificar, se unir e repor as energias para o desafio de quinta-feira.

Se você não acredita no time, está de saco cheio com a diretoria, com a nossa presidenta, vá ao estádio. Sim, vá ao estádio por mim, que estou a mais de 9 mil quilômetros do meu Mengão. Sim, vá ao estádio pela Nação Rubro Negra. Afinal seus irmãos rubro negros sofrem os mesmos flagelos que você nesse momento e estão loucos para cantar ao teu lado. E que Zico todo poderoso nos traga mais um delicioso milagre.
Bon profit, Nació Vermella i Negra!

Cair, levantar, cair, levantar…

Recordarei o passado quinze de Março, uma quinta-feira, como um dos dias mais boleiros da minha vida. Desses que ficam marcados na pele. Estava tuitando com amigos rubro negros quando vi que Llorente tinha marcado um gol contra o Manchester. Liguei na hora tv e vi o show do Athletic Bilbao do Loco Bielsa encima dos Reds. A Espanha inteira estava vibrando via twitter com aquele jogo.Vi um vibrante time vestido de vermelho, branco e negro, com uma torcida alucinada, com belo toque de bola, muita raça, despachando com propriedade um time inglês. Chegaram logo ao segundo gol e podiam ser uns três, quatro… Só que o terceiro gol dos bascos não veio e Wayne Rooney descontou com um golaço. Faltavam 10 minutos. Pensei: ih rapaz, o time inglês vai crescer agora.

 No primeiro jogo pelas oitavas de final da Europe League os rojiblancos tinham despachado o atual vice-campeão europeu com um histórico 2-3 em pleno Old Trafford. Se fizessem dois gols os ingleses podiam levar a disputa pra uma épica prorrogação. Só que os bascos não não deram chance alguma ao Manchester, e Bilbao se transbordou numa imensa “kale borroka” festiva e pacífica.De todos os cantos do mundo, sinais de admiração pelo jogo daquele Athletic ousado, lutador, trabalhador. Admiração pela filosofia do obcecado Marcelo Bielsa, nacido em Rosário, ex-jogador e técnico do “rojinegro” Newell’s Old Boys,  e possivelmente um dos professores de Pep Guardiola. Admiração pela raça dos seus soldados: Llorente, Muniain, Iraola, Ander Herrera…  Em um país onde reina o bipartidismo de Barça-Real Madrid ver um time formado só por bascos, navarros e riojanos chegar a tal feito era motivo de orgulho para qualquer amante do bom futebol. Por outro lado, sir Alex Ferguson teve que engolir a própria arrogância depois de ter reconhecido que não havia estudado o adversário.

Que bonito ver aquela festa na Catedral, casa do Athletic, um verdadeiro caixão que reverbera os piores pesadelos dos adversários, arquétipo dos quadrados estádios castelhanos, do Bernabéu à Bombonera. Já o Engenhoca é um escorredor de macarrão hi-tec, com seu jeitão de nave espacial espatifada sem engenhosidade, por onde se infiltram nossos sonhos e escoam nossos gritos. Isso quando nossos gritos conseguem a façanha de chegar ao estádio, claro. Esse enorme monumento ao mal feito só podia ter o nome de João Havelange e ser (mal) gestionado pelo Foguinho.

Ver a Catedral lotada me deu uma saudade eterna ao Maracanã que eu ajudei a lotar em 1992 e que, desde então, só foi encolhendo. Nosso Coliseu torturado, roubado, estuprado, assassinado, dissecado e empalhado, que a cada dia assombra e indigna os craques do passado. O dia que descobrirmos que estamos órfãos do nosso querido estádio e que ainda por cima, pagamos caríssimo a conta do assassinato, será a hora de dar licença a um Justin Bieber da vida ou às preliminares de luxo chamadas Olimpíadas. Parece que foi na Bélgica, quando fizeram uma grande reforma urbanística no come que inventaram esse negócio de pegar um prédio velho e reformar por dentro deixando só a fachada. Daí vem a expressão “de fachada”. Por isso na Bélgica chamar alguém de arquiteto é um insulto. E o Maracanã do futuro é de fachada. Já dizia minha vó: por fora bela viola, por dentro pão bolorento.

Mal terminou o jogo e fui correndo jogar uma pelada num torneio com um time de médicos disposto a dar o sangue pela vitória. É um time é tão bom que se chama Esfínter de Milanus. Acho que se enfrentássemos o pequeno Margatania seríamos goleados.

Perdíamos por 1-0 mas conseguimos segurar bem o primeiro tempo. No começo do segundo uma bola foi ao alto dentro da área. Eu corri para dominar com o peito e tentar nosso primeiro chute a gol. Entrei numa máquina de lavar. Quando saí estava deitado do chão, minha cabeça doía bastante e meu supercílio sangrava. Só pude imaginar o que tinha acontecido quando vi um companheiro meu também estendido no chão. KO.Perdemos, como sempre (6-1), e levei um ponto na cabeça para não esquecer a lição. Não adianta nada vontade (ou ansiedade) sem a mínima coordenação tática e motora. Daí fiquei acordado até as duas da manhã apesar de cansado, chateado, ferido.

O que eu vou fazer se vivo o futebol dos joelhos à cabeça?Mal começa o jogo e o locutor argentino da Fox Sports mandou essa: aposto que o Olímpia ou empata ou ganha o Flamengo. Que filho da mãe. Imagina o que ele recebeu de gentilezas pela internet. Depois ele soltou um dado que eu ignorava: o Flamengo nunca ganhou do Olímpia pela Libertadores. Sério? Como assim somos fregueses do Olímpia? Os caras tem mais Libertadoes que a gente e vamos pro jogo como se tratassem de um Resende paraguaio?

 Mas o que importa é o carioca pra livrar a barra né? Estranho, não foi esse mesmo técnico que riu do gordinho Cabañas? Pois em campo também vi aquele mesmo Flamengo que tomou de 4 no Engenhão do Universidade de Chile. Sufocado, estranho, mole, desatento, dominado. Isso só mudou com uma jogada indidual do Vágner Love e conclusão precisa do Botinelli. Não foi por acaso, pois são raros dois raros jogadores do nosso elenco que chamam a responsabilidade. Às vezes com mais músculo que cérebro, mas não podemos condená-los por omissos.Depois que o Luiz Antôno fez outra JOGADA INDIVIDUAL, Ronaldinho resolveu se juntar à festa. Bateu o pênalti e fez 2 a 0.

Com a vantagem R10 começou a fazer graça e numa dessas fez ótimo passe ao Luiz Antônio que concluiu como gente grande. E eu aqui em casa sem poder gritar de alegria. Chacoalhava no sofá à frente do computador vibrando de orgulho pelo meu Mengão. Orgulho desse moleque que outro dia tinha sido vaiado e estava destruindo no Engenhão.Aí chegou o momento em que ou o Flamengo goleava ou tirava o pé do freio tocando inteligentemente a bola, ou dando bicão mais ao estilo Joel. Escolhemos não fazer nem uma coisa nem outra. Coletivamente não éramos nenhuma maravilha e resolvemos brincar com a bola, fazendo malabarismos e dando toquezinhos de calcanhar. Ultrapassamos o fino limite entre o futebol bem jogado e o futebol rococó. Síndrome de Ronaldinho. É provável que essas frescuras tenham servido de combustível pro time do Olímpia que tem um ótimo técnico cujas mudanças afetaram o jogo do Flamengo.

Acharam uma falta meio marota meio besta, típica da nossa defesa. E acho até que nosso goleiro colocou mal a barreira. Mas era um gol só. O problema é que daí o Joel fez o favor de pôr a pior opção que tinha no banco. Negueba não é opção para segurar a bola, nunca foi. E se você coloca ele do lado do Galhardo com cartão amarelo está pedindo para ter problemas. Não acho que fosse necessário pôr um zagueiro, algo que não seria má idéia, mas até o Deivid teria melhor resultado, segura melhor a bola, ajudaria o Love que já tinha sentido a perna no quarto minuto de jogo. Mas não, por incompetência dos nossos jogadores e do treinador tomamos 3 gols em menos de quinze minutos. E o Olímpia foi para casa com um ponto lutado e eu fui pra cama com meu ponto na cabeça.

Recomendo rever o jogo. Melhor ainda se for com a narração gringa que dá de dez nas transmissões furrecas do Brasil. Flamengo 3 x 3 Olimpia 15 de março de 2012 – Engenhão.

Fui escrevendo esse texto enquanto deixava a raiva passar. Mas fiquei até com vergonha do meu pontinho. Vergonha infinita do Flamengo, mas por outro motivo. Ninho do Urubu? Um ninho devia proteger suas crias, não o contrário! Infelizmente nada melhorou e ainda gastamos energia com o carioca mais medíocre que já vi. Resultado: o jogo de quarta-feira não teve o enredo muito diferente. Sinceramente, se o Paulo Vitor não tivesse feito uma defesa milagrosa no primeiro tempo do primeiro jogo acho que íamos perder do mesmo jeito, achando algum gol pela inspiração do Love ou pelo “par de cojones” do Botinelli. O resto é a costela milionária do Ronaldinho, a prancheta esclerosada do Joel e o marido caga-idéias da Patrícia que por enquanto não tem como mudar.

O lance do segundo gol do Olimpia para mim é a imagem desses dois jogos. Zeballos luta no alto pela bola e cai, se levanta antes dos zagueiros e chuta desequilibrado, e cai. O Felipe faz boa defesa mas a bola fica ali dando bobeira na área. Outra vez ele levanta e manda a bola para as redes do Flamengo. Cair, levantar, cair, levantar. Quem melhor souber cair e levantar mais perto estará de uma vitória. Foi assim que o Olimpia se recuperou do 3 a 0 do primeiro jogo. O Flamengo devia pelo menos tentar lembrar daquele memorável 4-5 na Vila Belmiro.

Só que quem contratou o Natalino pensando na arrancada de 2007 entende menos de futebol do que a África do Sul. Ou então enganou todo mundo e já está prevendo um repeteco de 2005. O Joel só mudou numa coisa: virou um sem vergonha arrogante. Porque qualquer time que toma 6 gols de um adversário devia ter vergonha disso, principalmente se for treinado por um ex-zagueiro retranqueiro como ele. Já se foi a época do bonde-sem-freio e sua irritante invencibilidade. Os times do Joel Santana tem mais vocação para montanha-rusa. Aquele trem sem maquinista, teóricamente divertido, mas que só nos fazem sofrer, entre a ilusão da subida, a aceleração histérica da caída que precede o gozo de virgem imediato à subida, para no fim das contas voltar a descer desesperadamente ao mesmo lugar que estávamos. O melhor das montanhas-rusas é a hora em que acabam. Estou torcendo para que seja logo.

Pena que essa brincadeira pode nos custar a vida na Libertadores.Só nos resta fazer as malditas e inglórias contas para classificação. O que temos que admitir é que somos fregueses do Olímpia e fregueses do Pelusso. Humildade não faz mal a ninguém e não adianta pendurar no pescoço um out-door com a frase “Flamengo é Flamengo” que isso não ganha jogo. Tem uma coisa que o futebol brasileiro devia aprender. Só com trabalho, trabalho e mais trabalho (e tome tempo) seríamos capazes de fazer um time vencedor, uma geração espetacular com um futebol que tem aquele click que nos enche os olhos de orgulho. Infelizmente vejo que estamos indo no caminho oposto: pagando um milhão de reais a um cara que não joga, desmontando dia-a-dia o projeto anterior, adotando uns jogadores e prejudicando outros, voltando a treinar na Gávea, passando mais um mês sem patrocinado master, falando todo tipo de besteiras na imprensa, e tome besteiras, e cada dia mais…é bobagem que não tem fim…

Mas ainda bem que está chegando o Adriano. Com ele tudo vai mudar, nem vamos mais precisar de cartilha de boas maneiras. Com o Imperador vamos botar o pé na estrada. Com o Pé inchado de cachaça da Vila Cruzeiro o Flamengo vai finalmente trocar o disco.

PS: Atenção, esse vídeo contém uma música tão ruim quanto a atual fase do Flamengo.
PS2. Ontem voltei a jogar uma pelada com o Esfínter de Milanos. Nunca joguei tão mal. Numa jogada estava de costas para o gol, não dominei a bola e dei de presente o contra-ataque ao adversário que marcou o gol. Acho que perdemos outra vez por 6-1, talvez mais. A diferença entre eu e o R10 é que fico puto quando perco e não recebo um milhão por mês.
PS3: Devia ter ficado em casa vendo o jogaço Schalke 2 – 4 Athletic de Bilbao.

Ronaldinho, Barcelona, Flamengo e Darwin

Ainda me lembro de Janeiro de 2003 quando cheguei a Barcelona, cheio de esperanças de construir uma nova vida. Numa tarde gelada de inverno resolvi visitar o Camp Nou. Perto do estádio, me admirou ver uns pássaros verdinhos voando e fazendo algazarra nas árvores desfolhadas da cinzenta Travessera de Les Corts.

Aquilo era uma visão surreal do paraíso, como uma colagem do Miró. Perguntei a uma garota: que pássaro é esse? Um loro, disse ela me olhando como se eu fosse um ET. Me senti o mais estúpido dos estrangeiros, incapaz de reconhecer um simples periquito sulamericano em terras européias. Mas o que diabos faziam aqueles bichos soltos naquele frio? Como sobreviviam ao inverno europeu aquelas criaturas tropicais?

 Mais tarde, no passeio pelo estádio do F.C. Barcelona, vi a galeria de de ex-jogadores estrangeiros do clube. Entre eles: Evaristo, Marinho Peres, Roberto Dinamite, Romário, Ronaldo… A guia turística vendo que eu era brasileiro fez questão de comentar da briga entre Louis Van Gaal e Rivaldo. O meia já estava no Milan e o treinador holandês apesar de ter ganho uma longa queda de braço já estava na corda bamba. Eram anos deprimentes pro Futbol Club Barcelona, saudoso do Dreamteam e sem um futuro definido.Menos de um ano depois, numa mesa de bar, eu escutava um catalão resmungar indignado com os rumores sobre a contratação de Ronaldinho. Imagine só, ele preferia que o Barça contratasse o alemão Carsten Jancker!

Lamentavelmente nunca mais vi esse rapaz (adoraria perguntar pra ele se valeu a pena a contratação de Ronaldinho), mas em compensação nunca mais ouvi falar de Jancker…Contrariando aquele culé visionário Ronaldinho foi contratado e chegou sorridente ao Camp Nou para ser a antítese do “galático” Beckham. Lá estava eu na estréia de Ronaldinho no amistoso Troféu Joan Gamper em que empataram com Boca Juniors: 1-1 com gols de Tevez e Gerard. Não me lembro muito do Ronaldinho naquele jogo. Fiquei muito mais admirado com a torcida do Boca Juniors, onde acabei sentando com meu manto sagrado. Aqueles 3 mil argentinos calaram 87 mil culés. Como ainda havia algum catalão naquele espaço reservado aos visitantes atrás do gol sul, se ouvia alguém gritar: Sientate! Quiero ver el partido! E os argentinos respondiam cantando e saltando: Esto es fútbol, no es cine! Esto es fútbol, no es cine! Esto es fútbol, no es cine!

Mas logo viria o segundo jogo oficial do Ronaldinho no Camp Nou, diante do Sevilla. O Barça perdia por 1×0 e o gaúcho recebeu uma bola das mãos do goleiro, antes do meio campo, deu uma arrancada, driblou dois e meteu, com um chute de fora, muito fora da área, um golaço espetacular. Uma jogada que só alguém convicto de ser o gol em pessoa. Alguém que é capaz de decidir como e quando as coisas acontecem em campo. Um craque com a urgência visceral de provar ao Camp Nou, a Barcelona e ao mundo a que veio. Era seu cartão de visitas. Hola, soy Ronaldinho.

E esse filme durou 3 anos. Uma catarse de 3 anos de dribles, gols, jogadas espetaculares, títulos, vídeos e muita festa. Assim como havia feito o rubro negro Evaristo décadas antes o orgulho culé que o sendo o jogador mais decisivo da história do clube até então. E o torcedor catalão, apesar de ser historicamente pessimista, parecia que tinha visto um passarinho verde. O que ninguém imaginava é que esse filme estava destinado a acabar com a premiação de Ronaldinho como o melhor jogador do mundo. Depois disso o que se viu dele foram remakes baratos de filmes clássicos. Ronaldinho era refém do jogador espetacular que tinha sido. Quando muito algum lampejo para nos deixar claro que a qualidade continua ali, o que evidencia que o que faltava era vontade.

 O brasileiros se perguntavam porque aquele craque nunca veio jogar na seleção. Os espanhóis se perguntavam porque ele nunca voltou da copa de 2006. Me lembro bem do dia seguinte à eliminação do Brasil pela França. Eu estava de ressaca e tinha ido com amigos à praia de Castelldefels com uma camisa do Tabajara Futebol Clube. Joguei uma pelada com amigos brasileiros contra um combinado europeu: italianos e suiços. Sem ser nenhum craque deixei claro que ali havia um brasileiro orgulhoso do seu futebol. Meu prêmio, uma pelada de bêbados na praia e um dedão machucado. Como se fosse uma partida vital para recuperar o orgulho daquela seleção sem sangue, passível ante a derrota. Depois descobriria que na mesma hora, ali em Castelldefels, na mansão do gaúcho, Ronaldinho e Adriano enchiam a cara numa festinha particular pós-Copa. Nunca mais vi minha camiseta do Tabajara…

Ainda assim passei anos defendendo o decadente Ronaldinho em conversas com os torcedores do Barcelona. A maioria mais preocupada com o momento ideal de vendê-lo para ainda tirar proveito do negócio. Nunca consegui entender a maneira de ver o futebol daqueles torcedores que vão ao estádio como quem vai ao cinema. Na época eu via Ronaldinho como um puro sangue, que por não estar preparado para aquela dura corrida, sucumbiu aos vícios de uma cidade tão vadia de noite quanto trabalhadora de dia. A mesma cidade que apresentou a cocaína ao Maradona. E o mesmo club onde Johan Cruyff negociava com Romário: se você meter três gols contra o Atlético Madrid eu perdôo teu enésimo atraso aos treinos.

Os principais herdeiros desses três gols do Baixinho provavelmente são Ronaldo, Adriano e Ronaldinho. Grandes discípulos da filosofia sexo, cachaça e futebol. Bons malandros e perpetuadores da nossa cultura futebolística que premia a indisciplina. Otário é o que não sai na night, não reclama dos salários atrasados, se esforça no treino e tem amor à camisa. Porque se esse cara erra um gol decisivo, ele nem terá a desculpa do fraco pela cachaça, nem terá disfrutado das suas marias-chuteiras. Craque-malandro é o que ganha um milhão por mês, não treina, tira o técnico do time, não aparece nos jogos decisivos, mete os mesmos gols que o otário, é chamado pra seleção, e quando é vaiado tem o apoio de todos os companheiros.

Felizmente pro futebol existem clubes que pensam diferente. Um deles: Futbol Club Barcelona. Em 2007 vi, no Troféu Joan Gamper, um Ronaldinho lamentável caminhando em campo. Apesar dele abrir o placar com um gol de pênalti e da surra do Barça à Inter de Milão (5-0) era triste vê-lo. (Ainda estava anos luz daquele R10 que vi no empate com o Figueirense ano passado no Engenhão.) No time da Inter um Adriano melancólico, parecia que tinha abandonado o futebol mas tinha esquecido de sair de campo. No fim daquela temporada o Barcelona demitiria o paizão Frank Rijkaard e promoveria do time B o inexperiente Pep Guardiola.A primeira coisa que Guardiola fez como técnico do Barça foi dispensar Deco e Ronaldinho. Depois de tantos gols, tantos sorrisos e títulos o clube não teve dúvidas: preferiu dar ouvidos a um técnico inexperiente e dispensar o ex-astro da companhia. Guardiola diria na época: eu visse que ele quisesse voltar a ser aquele jogador ele ficaria no grupo. Hoje, quem ousaria contestar os títulos que ele conquistou depois de dispensar o R10?

Como bom herdeiro do Romário, Ronaldinho veio ao Flamengo, brigou com o Luxemburgo e conseguiu tirá-lo do clube. Mas ao contrário do Baixinho, que jogava seu futevolei na Barra, R10 decidiu jogar futevolei quinta-feira passada no Engenhão diante do Emelec. Pegou mal e ele foi vaiado, dentro da área não é lugar pra presepada. Pelo menos não pra aquela galera que pegou 3 horas de engarrafamento pra ver o gaúcho andar em campo. Ronaldinho já está velho o bastante para saber que o som que vem das arquibancadas é consequência das escolhas que ele faz dentro e fora do campo.

Quer um exemplo desagradável? O Flamengo tinha tudo para celebrar com um título no seu centenário em 1995. Mas a poucos minutos do fim, Romário (nobre deputado) decidiu não lutar por uma bola depois de um chute do ex-flu e tetra Branco. A bola foi recuperada e chegou aos pés do ex-rubronegro Aílton que entortou o Charles duas vezes e chutou, encontrando, dentro da área, a barriga do ex-rubronegro Renato Gaúcho. Sim, orgulho e vergonha, aplausos e vaias são lados da mesma moeda. Se você ganha um milhão de moedas por mês então… corra pelos aplausos!

Não espere parado pelas vaias!E aquelas criaturinhas verdes continuam voando e gargalhando pela cidade condal. Eu descobria mais tarde que aqueles passarinhos verdes são catorras argentinas(Myiopsitta Monachus) que eram vendidos como animais de estimação e foram abandonados. Mas devido a sua notável capacidade de adaptação foram capazes de se reproduzir e viraram praga na cidade. Hoje eu ousaria dizer as cotorras são hoje um símbolo da cidade, como as Ramblas, o Bairro Gótico e as obras de Gaudi. Mas talvez o símbolo mais internacional hoje seja Messi, essa cotorra argentina que dia após dia está dizimando os récords deixados por Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho…

 É lamentável ouvir vaias no estádio. Se dá tanto trabalho encher o Engenhão numa quinta à tarde é muito melhor voltar a ouvir o tradicional MEEEEEEENGOOOOOOO. Entendo que se o Flamengo fosse um organismo talvez a vaia seria uma tosse, um sinal de que algo vai mal. Mas se o médico decidiu fazer uma lobotomia pra curar a conjuntivite e ainda deixou o doente pegar sereno no carnaval, paciência!

Ao doutor Ronaldinho eu já receitei o manual para ele se adaptar ao Flamengo. Pelo jeito ele já conseguiu marcar num clássico. Parabéns, R10, você já se igualou ao Maxi Biancuchi! Pena que pouco depois baixou a Pomba Gira dos Pampas em você. Essa expulsão até que demorou, só não pensei que fosse tão ridícula e desnecessária. Acabou devendo o bicho ao Paulo Vítor, sem o qual hoje seria vilão. Ainda bem que foi numa pelada sem importância como esse Fla-Flu… Mas ô Ronaldinho! Sem ser decisivo (positivamente) em clássicos e jogos decisivos você se enfrentará algo muito pior que a vaia: a indiferença e o esquecimento.

Quanto à torcida, por mais que a vaia seja um sinal de que estamos vivos, e ainda que seja direcionada ao jogador, sabemos que afeta ao time inteiro. Principalmente aos mais jovens. Por isso sugiro que da próxima vez a torcida prefira uma canção à vaia. Vamos cantar ao mundo inteiro, nem que seja de raiva.

Ronaldinho e a ordem das vaias

Quando uma multidão foi à Gávea recepcionar RonaldinhoGaúcho, tivemos a medida exata da nossa expectativa: sonhávamos com o jogadorque já foi o melhor do mundo. Havia, ali, também um orgulho por termos vencidouma batalha contra Palmeiras e Grêmio, sobretudo o Grêmio e seus dirigentesboquirrotos e suas caixas de som. “Agora eu sou Mengão”, disse ele, entredançarinas de funk, Vágner Love e uma orgulhosíssima Patrícia Amorim. Talveztenha sido a tarde de mais euforia na Gávea desde o tricampeonato de 1944.Vivíamos um sonho. O problema é que qualquer observador mais atento poderiaperceber que era um sonho de verão.
Quando Ronaldinho foi o melhor jogador do mundo, havia umsupertime jogando para ele. Um time que se deslocava para abrir espaços e criaropções de jogadas, ótimas opções, as melhores do mundo na época. Com espaço ebem escudado, Ronaldinho de fato fez por onde ser o melhor do mundo e escreveualgumas páginas douradas do futebol, como a estreia na Champions League em 2004contra o Milan, os gols em arrancada pela esquerda contra o Madrid em plenoBernabéu nos 3×0 de 2005, o golaço decisivo contra o Chelsea na Champions em2006 e muitos, muitos outros.
Mas ainda no Barcelona, Ronaldo foi criticado pelasnoitadas, pela forma física – chegou a erguer a camisa ao final de um jogo paramostrar que o Ronaldo gordo era o outro – e saiu da Catalunha sem grandecomoção, porque os blaugranas já aprenderam que sai um Romário e chega umFenômeno, que se vai para abrir espaço para Rivaldo que é sucedido porRonaldinho e ali já estava um certo Lionel, haja Camp Nou para tantos craques.Em Barcelona todos aprenderam a lição: Ronaldinho foi genial porque se criaramtodas as condições para isso, e o negócio foi espetacular para clube e jogador.
Favor vaiar primeiro a mulher de tricolor
Esse aparato que o Barça criou para Ronaldinho brilharneutralizou o maior defeito dele como jogador e personagem: a fraqueza mental.Explico-me. Ronaldinho, desde o Grêmio, sucumbe se esperam que ele seja líder.Não é e nunca foi líder de nada, nem do próprio destino como atleta. Ronaldinhotem talento para ser a estrela do espetáculo se tudo estiver montado para elebrilhar, mas não tem força mental para sacudir um time, para chamar todos ao jogoquando as coisas vão mal, para ser constante em alto nível. Em dias iluminadose contra times que deixam jogar, fará o que fez na Vila contra o Santos. Nomais das vezes, quando o pau cantar, vai se esconder na ponta esquerda.
E sabem do pior? Isso não é problema dele. Foi esse oRonaldinho que o Flamengo contratou. E poderia ser um bom negócio, desde quehouvesse um time capaz de oferecer as situações que ele precisa – tenho certezaque Ronaldinho brilharia no Santos, por exemplo, tabelando com Ganso e servindoa Neymar. No Flamengo, quando havia um jogador apto ao diálogo no meio, nãohavia um atacante decente. Agora que há um atacante decente, não há ninguém inteligentea seu lado na armação.
Quanto ao salário, não é problema dele. O negócio foianunciado como o mais vantajoso da história. Um parceiro bancaria quase tudo ea parte que caberia ao Flamengo seria facilmente suportada com ações demarketing. Ronaldinho não tem culpa de o Flamengo ser presidido pelo maridotricolor de uma vereadora e de o clube não ter um departamento de marketing.
Todos queríamos mais de Ronaldinho, mas o Flamengo não fezpor onde, assim como não fez a seleção brasileira em 2006. Esperar superação dojogador? Ele nunca foi disso. Em lugar nenhum. Jamais será. Ele joga demais noconforto do jogo solto, nunca no perrengue das bolas mal passadas por Willianse Renato Abreu e dos gols ridículos perdidos por Deivid.
Eu não vaiaria Ronaldinho no meio de um jogo da Libertadoresporque acho que não ajuda Vaiaria ao final, sim, mas desde que se respeitasse aordem de quem merece vaia. A primeira e mais estridente e com a tônica no umais acentuada é a para a presidente mulher de tricolor, a que traiu Zico, aque está afundando o Flamengo com sua gestão temerária. A segunda seria paraJoel dos Volantes Santana, que deveria ter sido declarado persona non grata em 2008. E só então vaiaria Ronaldinho, para queele não se esqueça de que Flamengo é Flamengo e sim, a gente leva a sério. Acomeçar pela ordem das vaias.

Jardim Escola Flamengo

Depois de uma noite mal dormida, de chances desperdiçadas, de um empatezinho deselegante…eis que acordei com a dúvida: como manter minha cara de debochada?

Deu ruim pra mim hoje… desde a escalação de Joel, um frio na barriga que me rondava, foi esquecido diante de meu jeito foca de ser. Acreditar é um lema…que anda difícil de ostentar!
E ai começa o jogo… e uma chuva de criticas e novos cornetas! Estamos diante da pelada da escola. Aquela que vale apenas uma zuação no final do recreio. Coisa de time pequeno. Mas não estamos falando do MAIOR DO MUNDO?
Concordo em partes com as criticas a R10. Tá certo que ele é o jogador mais sem sal da história. Empatia e amor zero pelo Manto. Ele é bem do clã Patricinha Amorim, do que defende apenas seus interesses pessoais. Porém não há como negar que ele é craque! Craque que está perdendo sua referência. Dentro de um time que não sabe dar suporte.
Que não permite que ele exponha sua graça, suas jogadas e o futebol bonito que sempre apresentou por onde passou.
Ao menos é bem remunerado para levar fama de mau jogador.
Joel ta velho. Esclerosado. Ele deveria ser técnico de futebol de botão. Antiquado. No mínimo estava com foco no grande jogo que faremos contra o Resende no sabadão profano de carnaval. 


Sucessão de erros, de bicudas, de gente batendo cabeça. Tenho medo do que pensa o Gonzalez ao assistir ao jogo de ontem: o que faço aqui?
A estratégia do Flamengo é covarde. Jogar um craque aos leões. É a técnica do desaprendizado! Não tem uma jogada. Não tem uma sintonia. As peças não se encaixam. Como ser feliz desse jeito?
Assistir a uma partida como a de ontem, é para quem tem resistência. Foi porrada do inicio ao fim…e o pior: apanhar do time do primário! Jogar com time pequeno e ter a sensação de que está apanhando do Barcelona! Ô joguinho!
Um jogador que antes mesmo de entrar em campo declara: o empate é um bom resultado!!!
Ô Willians: porque não te calas???
Digito esta parte do texto de pé apenas ao cara que vem numa crescente desde o inicio do ano. Que vem mostrando um futebol mais decidido, acredito que queira resgatar sua identidade com uma torcida que sempre exaltou seu nome: Leo Moura. O problema é que uma andorinha só não faz verão…meus aplausos também dedico ao Paredão. Digno de todo meu respeito. O resto? O resto ta bem enquadrado: é apenas o resto!
Ou resgatamos nossa moral, nossa fama de mau, e encontramos a receita pra dar certo, ou será ladeira a baixo.
Minha fé, motivação, apoio incondicional, não é nada se não encontrar em campo aqueles que estão na mesma energia , no mesmo barco na mesma sintonia que eu.
Que Love possa mexer com a vaidade de R10, que a partir daí passe a dar todo o sangue. Que o time entenda de uma vez por todas que estamos falando de  Libertadores, que Joel queira se desculpar dos erros cometidos com uma nação e a partir daí faça mágica para reconquistar. E que a torcida…ah a torcida…que a torcida não desista jamais.
Porque podemos perder, podemos empatar…mas não podemos jamais deixar de apoiar!
Como ser um time grande, se quem ta no comando não entende sua grandeza?
Cella
#NadaImportaSemOFlamengo
@MarcellinhaRJ

Maior do que vocês: América, lá vamos nós

Assim como nunca vi nada como essa pré-temporada do Flamengo, retro-alimentada com crises diárias, nunca vi nada como o pré-jogo de ontem. Estava indo para casa, tenso, e liguei o rádio do carro. 1220 da Globo, só chiado, roda o dial, 1280 da Tupi e opa, Apolinho cuspindo marimbondos radioativos contra Patrícia Amorim. Esperei um tempo na garagem ainda sem entender direito, Luxemburgo demitido? Joel? Só fui entender ao acessar o Twitter, timeline nervosa e boladíssima com a matéria do GE.com.

Ainda estava atordoado quando Sérgio Américo entrou ao vivo com Patrícia Amorim, que desmentiu – ou retrocedeu diante da repercussão, o que é mais provável – e ouviu uma declaração de amor do Apolinho, padrinho declarado de Luxemburgo. Na timeline Patricia já era chamada de Pat-ética. Ela, que acusou o Fluminense de falta de ética. Ela que… Vocês sabem. Tanta coisa.

Passava um pouco das nove e eu estava atordoado. Na boca de um jogo decisivo e o Flamengo na garupa do palhaço. Solto na buraqueira. Rezei para os minutos voarem e a bola rolar, para tudo voltar a ser futebol.

Rolou. Time nervoso, mas ligado. Ronaldinho bem, encaixou um lançamento preciso para Léo Moura e quase gol de Deivid, uma ponta de chuteira atrasado. As chances foram sendo perdidas, Ronaldinho de cabeça, chutes de longe, Bottinelli rente a trave e o tempo voando. Alívio geral quando R10 botou a bola na cabeça de Léo Moura e o Engenhão explodiu.

No segundo tempo, mesmo com a fragilidade do Potosí, o Flamengo se perdeu entre pressionar em busca do segundo gol e segurar o resultado. Acabou não fazendo uma coisa, nem outra, e o jogo ganhou contornos de drama. El Gordo errou uma cabeçada que me fez sentir o vento frio de outras noites que não deveriam ter existido, mas felizmente os bolivianos são ruins demais e Léo Moura retribuiu o presente a R10 que matou o jogo com imensa categoria.

Valeu pela festa da torcida. Valeu pelo desabafo de Júnior contra os bandoleros que posam de dirigentes do Flamengo. Valeu pela vaga. De resto, continua a crise no comando. Os jogadores não querem mesmo Luxemburgo – se quisessem, teriam comemorado com ele, em desagravo. Eu também não quero Luxemburgo, mas entre ele e Joel, ele. Entre o diabo e Joel, o diabo. Jamais perdoarei o Natalino por 2008.

Os inimigos são muitos. Os externos apenas secam, mas os internos arruínam, deterioram, crescem como infiltrações surdas que enfraquecem as paredes. Gente que deveria cuidar do clube e só faz enfraquecê-lo. Mesmo assim, vencemos. E vencemos apesar de vocês que são incompetentes, que maldizem o Zico, que tentam acabar com o nosso amor.
Vocês não conseguirão. O Flamengo é maior do que vocês porque se alimenta dos nossos sonhos e de nossas vidas. América, lá vamos nós.

foto: Vipcomm

Flamengo 2×0 Real Potosí
1 de fevereiro de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 32.004 pagantes.
Árbitro: Victor Rivera
Cartão vermelho: Centurión
Flamengo: Felipe Leo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Willians, Luiz Antônio, Renato Abreu (Muralha) e Bottinelli (Camacho); Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Negueba). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Real Potosí: Lapczyk, Jiménez, Alarcón, Centurión e Rivero; Sejas, Michelena (Tudor), Ortiz (Angola) e Ovando (Pol); Yecerotte e Brittes. Técnico: Victor Zwenger
Gols: Leo Moura aos 38 do 1º tempo; Ronaldinho Gaúcho aos 48 do 2º tempo.