28 Dias Sem Flamengo – Salve, Jorge! – Dia 01

Meu querido diário…
Querido é o escambau!

Desgraçado diário, ontem o Flamengo foi eliminado pelo Vasco na Taça Rio. De virada igual tínhamos sido eliminados na Taça Guanabara. Acontece que desta vez não foi o Deivid que errou um gol feito. Dizem que o Ronaldinho errou um. Na verdade mal vi o jogo. Estava brigando com a conexão do Rojadirecta.me olhando mais a tela do twitter que a do jogo.

O gol do Vagner Love vi ao vivo, dei um grito e asustei a Anna que estava no sofá vendo o reality show Mario y Alaska na MTV espanhola. Hoje ela se incomodou bastante com meus gritos, mas eu acho que gritei pouco. Já esperava o que estava por vir. O segundo gol do Vasco “vi” antes no twitter, de tão lento o streaming que peguei no Rojadirecta. Fui mudar de canal e perdi o golaço do Kleberson.

O Kleberson queimou a língua de todo mundo, incluida a minha. Mas o Joel ao invés de usar essa arma que caiu do céu pra ele, colocou o recém operado Renato no campo. Pobre Canelada, não fez nada certo. O Joel também insistiu no Negueba, fazia tempo que ele não entrava. Normalmente quando veja a cara do moleque já penso em derrota certa. Mas ontem tive um sentimento de esperança quando ele tentava se meter entre 4 zagueiros vascaínos. Esperança inútil.

Depois do jogo não fui capaz de ouvir a entrevista do Joel na CBN. Obrigado, Firefox! Antes de domir escutei “Apesar de você” do Chico Buarque em homenagem à Vossa Excelência, Patrícia Amorim.

Apesar de Você by Chico Buarque on Grooveshark Touradas Em Madrid by Carmen Miranda on Grooveshark

Daí acordei hoje com um mal humor do cão. Tinha que ter ido ao mercado, comprado um livro pra minha namorada, uma rosa… Pois é, o dia de Sant Jordi se celebra assim na Catalunha. E minha espanhola natural da cataluuuuuuunhaaaa não queria que eu tocasse castanhola e pegasse o touro a unha. Ela só queria um livro e uma rosa, como manda a tradição catalã.

Até quando esperaremos nosso príncipe encantado?

Acontece que meu ritual é outro. Costumo ouvir o rubro negro Jorge Ben (Salve, Jorge!) e pensar nos meu inimigos sem príncipe nem cavalo branco.

Jorge da Capadócia by Jorge Ben on Grooveshark

Por isso passei a manhã lendo notícias do Flamengo, revendo algum lance, tuiteando e trabalhando no nosso blog. Pois é, ontem inauguramos endereço e cara nova. Inauguramos também o @ADTRubroNegro. Aliás minutos antes do jogo eu e o Marcelo falávamos no Skype sobre os botões de compartilhar do blog. Pois eu fiquei muito feliz ao ver que esses botões foram bastante usados hoje.

Triste eu fico em ler mais notícias da Gávea. Quer dizer que agora querem contratar um zagueiro, um meia e um atacante? Que novidade hein? O num-sei-quem-lá Coutinho (o que importa é o sobrenome, não é verdade?), quer mesmo contratar aquele zagueiro que pôs fogo na própria casa? Fala sério, Cascão! Precisamos de mais um com ficha na polícia? Também li que para renovar o elenco iam emprestar Thomás, Camacho, Galhardo… Como assim renovar emprestando os mais jovens? Pra botar vários jogadores de mais de 30 no lugar deles? Porque não colocam logo o roupeiro Babão no lugar do Cascão? O cara já disse que tem labirintite e que odeia altura! Com ele não subimos nem no meio fio, imagina se conquistaremos o topo da América.

E Vossa Excelência Patrícia Amorim? Quer dizer que ela pode perder o salário do PSDB por traição? Quer dizer que ela na vida política é igualmente oportunista e inconsequente? Que se na hora de decidir alguma coisa ela sempre decide pelo lado mais forte? Que é igualmente improdutiva na câmara porque fez pouquíssimos e inúteis projetos de lei? Chama o dragão, nossa princesa é do mal!

Me desliguei o máximo que pude do noticiário. Só parei pra morrer de rir da fala do Joel se comparando ao Guardiola. Ainda bem que ele “erra muito pouco” senão o Flamengo estaria na segundona do Carioca.

Ih, rapaz. Quando vi era a hora de comer e eu não tinha nem almoço pronto, nem rosa nem livro. “quando o Flamengo perde não quero comer e não quero almoçar!” E hoje já não adianta “rezar ao São Jorge pro Mengo ser campeão”. Minha adorável catalã chegou em casa com o meu livro. “Un largo silencio” do Miguel Gallardo, uma novela gráfica contando a história do seu pai na Guerra Civil Espanhola. Achei que minha casa ia ter guerra civil também.

Mas acho que ela já se acostumou com o desastre total que eu sou. Assim como nós rubronegros que nos acostumamos com o desastre total que são os dirigentes da Gávea, e nunca fazemos uma “guerra civil”. Saímos pra comer (estava tão zonzo que fiz um pedido meio surreal), voltamos pra casa, fizemos a siesta, e voltei pro computador. Só saí de casa pra comprar o livro quando faltava meia hora pras lojas e barracas de rua fecharem.

Uau! Que suspresa a minha ver movimento nessa cidade. Todo mundo atrás de um livro! Existe vida fora das telas! Que coisa linda. Que bela maneira de sobreviver a esses dias sem o Flamengo. Vá ler um livro! Não conseguia decidir e estava vendo a hora que a minha indecisão ia me deixar sem livro. Deixei de palhaçadinha e comprei também uma HQ: Habibi do Craig Thompson. Um baita livrão com uma protagonista feminina que não acredito que se faça de vítima. Saí correndo pela cidade atrás da rosa. Todo mundo tinha uma na mão mas era tarde demais pra comprar ou ganhar de presente nas lojas. Será que vou ter que robar de uma velhinha? Ufa! Consegui achar uma floricultura aberta. Me senti como se fizesse o gol que o Negueba não fez aos 45 do segundo tempo.

Jantamos crema de abobrinha em homenagem a Vossa Excelência. Assistimos ao Crackóvia, programa humorístico sobre futebol da TV3 catalã. Rimos bastante do Real Madrid apesar da desgraça do Barça. A sátira que fazem do Stars Wars é genial. Mas ri mais das piadas com o Rei Juan Carlos e sua escopeta o seu genro corrupto Iñaki Urdangarín (ex-jogador de Handbol do Barça).

Antes de dormir voltei ao computador. Tuitei mais que Marcellinha ontem! Como é possível isso? Caramba, o texto do Maurício bombou na internet! Que alegria! Mais de mil acessos. Obrigado ao Alex Triplex e Arthur Muhlemberg pela moral. Obrigado a todos que divulgaram o site. Vou feliz para cama.

Insônia. Estou há duas horas na cama e não posso dormir. Acendo o celular e olhos emails, estatísticas do blog. Já quero arrumar um celular que navegue melhor pra poder postar no blog direto. Medo. Estou com uma pergunta do @PrimeiroPenta na cabeça. Como um blog sobre Flamengo sobrevive sem jogos e sem falar de política? Resolvi começar esse diário. Para contar como sobrevivi aos 28 dias sem Flamengo no ano do centenário do futebol.

Boa noite e até amanhã.

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

O Pavoroso Joel e suas criaturas, os volantes híbridos

Quando o apego por volantes híbridos (cabeças-de-bagre compernas-de-pau) parece já ter esgotado todas as suas variações, Joel Santana,cujo nome escrevi pela última vez e doravante será chamado apenas de O Pavoroso,se superou. Willians, volante híbrido juramentado, foi escalado como meia deligação.
O mundo muda em velocidade alarmante, é fato. Todavia, meiade ligação ainda deve ser o sujeito capaz de acertar passes ofensivos, derevezar com os laterais e de se aproximar dos atacantes com algo a ofereceralém da baba viscosa do cansaço provocado pela correria estéril. Willians não éum meia de ligação. Willians machuca a bola. Willians tranca o jogo. Willians éum erro, um ponto-e-vírgula que separa sujeito e predicado.
Quando Willians é escalado como volante híbrido, roubaalgumas bolas. Só. Willians não sabe o que fazer com as bolas que rouba e entãotoca para seu superior, Renato Abreu Arantes do Nascimento ou, na falta dele,para o Júnior César. Aí o Júnior César perde a bola e Willians tem a chance dedar mais alguns carrinhos e iludir os desatentos que pensam: puxa, Willians nãodesiste.
Não parecia haver algo pior do que esse Willians que rouba,passa mal e rouba de novo, até O Pavoroso escalá-lo como meia de ligação, àfrente de Muralha e Luiz Antônio. Como não estava em posição de tentar bloquearo jogo do adversário, Willians passou a tarde bloqueando o jogo de Muralha eLuiz Antônio. Os garotos tentavam sair para o jogo, mas morriam nesse obstáculocamuflado chamado Willians Armador. Era como se houvesse um muro separando otime do Flamengo ao meio. Tudo morria em Willians.
Ao escalar dois ou três volantes híbridos, o mau treinadoresconde sua incompetência porque passa a falsa impressão de que a culpa não ésua – afinal, o que fazer com jogadores que não sabem passar a bola? Porém,quando os volantes sabem jogar, como é o caso de Luiz Antônio e Muralha, ficaescancarado que o time é mal treinado, que não tem opções táticas, que não temuma mísera jogada ensaiada.
O jogo de ontem escancarou a verdade sobre Willians. Quandoé escalado como volante, ele apenas não joga, não produz, não tem serventiaalém de alguns carrinhos cenográficos. Porém, quando escalado mais avançado,Willians atrapalha o próprio time e anula essa grata surpresa que é o jogo deMuralha e Luiz Antônio.
A partida contra o Friburguense era tão fácil de ser vencidaque o gol da vitória veio em passe de Paulo Sérgio e conclusão de Kléberson. Oproblema é que essa partida só foi jogada a partir da entrada de Kléberson. Atéentão, a partida era do Flamengo contra Willians e O Pavoroso, uma atrocidadeque ainda que se estendesse pela eternidade estaria condenada ao 0×0.
Friburguense 0×1 Flamengo
18 de março de 2012 – Taça Rio
Estádio Cláudio Moacyr – Macaé
Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães
Flamengo: Felipe, Galhardo, González, David Braz e JúniorCésar; Muralha, Luiz Antônio, Willians (Kléberson) e Bottinelli (Negueba);Thomás (Paulo Sérgio) e Diego Maurício. Técnico:Joel Santana
Friburguense: Marcos, Sérgio Gomes, Cadão, Diego Guerra eFlavinho; Zé Victor, Lucas, Marcelo (Diego Santos) e Jorge Luiz; Ziquinha(Marquinhos) e Rômulo. Técnico:GérsonAndreotti

Gol: Kléberson aos 35 do 2º tempo.

Um pequeno milagre e duas vitórias

Enquanto o Flamengo penava para fazer 1×0 no Emelec e atorcida vaiava Ronaldinho, a transformação mais importante do time passavaquase despercebida. Sem Airton, Willians e Renato Abreu, a bola foi mais bemtratada. Mesmo com Bottinelli claudicante como segundo volante a bola foi maisbem tratada, e a melhoria no tratamento a levou para os flancos, para osespaços certos, para a vitória magra, mas tranquila – depois de perder um golno início, o Emelec não ameaçou mais.
Welinton e seu talento para ser driblado

É primário: o time que arma melhor também se recompõe melhorquando perde a bola, eis que se bagunça menos quando sai para o jogo. OFlamengo de Luxemburgo era um desarranjo, uma disritmia, uma repartição públicade anedota, burocratizada pelo carimbo obrigatório de Renato Abreu. Não queJoel tenha feito algo para mudar, foi obrigado ao óbvio pelo infortúnio pessoaldos três cabeças-de-área-e-de-bagre que acabaram sendo a fortuna do time.

Com Bottinelli suspenso, o time foi mais escangalhado aindapara o Fla-Flu, a ponto de assistirmos a ressurreição de Kléberson. O horror seespalhou pelas redes sociais assim que foi confirmada a escalação do Penta.Ora, ninguém em sã consciência defende a titularidade de um jogador como Kléberson,já longe na curva descendente de sua carreira, mas era absolutamente certo queo jogo fluiria mais com ele do que com os botinudos que lhe antecederam.
Kléberson, mas pode chamar de Jason
O fato de Kléberson e Magal renderem mais do que seusconcorrentes não significa que são bons jogadores. Significa só que sãomelhores do que Renato Abreu e Júnior César. Nada demais, mas o time agradece.
Ronaldinho demonstrava um tanto mais de vontade até dar umacotovelada e uma solada no mesmo lance. Certo, o primeiro amarelo foiequivocado, mas ele poderia ser expulso só pelo segundo lance mesmo e estariatudo certo. Já falei de sua fraqueza mental, estado que compreende essasexpulsões esdrúxulas – foi assim contra Inglaterra em 2002, se você estiver compreguiça de ver outros exemplos neste link.
Só o que me importa, por enquanto, é o jogo de quinta-feira.Desprezo a Taça Rio e me preocupa a Libertadores. O grupo está embolado e umavitória contra o Olimpia permite ao Flamengo ir mais tranquilo para os doisjogos fora de casa. Para vencer o Olimpia será preciso jogar mais do que contrao Emelec, a julgar pelo que vimos na partida Olimpia 2×1 Lanús.
Talvez Joel opte pelo quadrado Luiz Antônio, Muralha, Bottinellie Ronaldinho, eis que a formação com três zagueiros se mostrou um risco contrao Emelec. González é bom e pode diminuir as deficiências de David Braz, masesperar que ele faça isso com Braz e ainda com o Welinton é atribuir-lhepoderes improváveis.
Meio na marra, o time vai ficando simples. Menospretensioso, mais funcional. Parece pouco, mas para quem começou o ano comAirton, Willians e Renato Abreu, é um pequeno milagre.
Flamengo 1×0 Emelec
8 de março de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 27.826 pagantes (31.859 presentes)
Árbitro: Dario Ubriaco
Cartão vermelho: Marlon Jesús
Flamengo: Paulo Victor, Welinton (Deivid), González, DavidBraz; Léo Moura (Negueba), Muralha, Luiz Antônio, Bottinelli e Júnior César;Ronaldinho Gaúcho e Vágner Love. Técnico: Joel Santana
Emelec: Esteban Dreer, José Quiñónez (Carlos Quiñónez),Gabriel Achilier e Oscar Bagui; Pedro Quiñónez, Fernando Giménez, FernandoGaibor, Enner Valencia e Marcos Mondaini (Walter Iza); Luciano Figueroa (Vigneri)e Marlon Jesús .Técnico: Marcelo Fleitas
Gol: Vágner Love aos 3 do 2º tempo.
Flamengo 2×0 Fluminense
11 de março de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 10.534 pagantes
Árbitro: Eduardo Cordeiro Guimarães
Cartão vermelho: Ronaldinho Gaúcho
Flamengo: Paulo Victor, Galhardo, González, David Braz eMagal; Luiz Antônio, Muralha (Rômulo), Kléberson e Thomás (Diego Maurício);Ronaldinho Gaúcho e Vágner Love (Deivid). Técnico: Joel Santana
Fluminense:
Diego Cavalieri,Jean (Lanzini), Leandro Euzébio, Anderson e Thiago Carleto; Edinho (Wallace),Diguinho, Souza e Wagner; Rafael Sobis (Samuel) e Rafael Moura. Técnico: AbelBraga
Gols: Ronaldinho Gaúcho (pênalti) aos 22 e Kléberson aos 24do 2º tempo.