Gigante adormecido

Um dia após a nossa lamentável eliminação para o Vasco, como é feriado de São Jorge aqui no Rio de Janeiro, tirei o dia para dar aquela faxina na casa. Não queria saber de noticiário esportivo, nem mesmo me envolver em discussões fervorosas sobre o futuro rubronegro. Resolvi iniciar a arrumação da bagunça por onde guardo revistas, recortes e jornais sobre o Flamengo. Meu projeto de arrumação acabou ali mesmo. Comecei a folhear os jornais e fiquei relembrando notícias e vitórias memoráveis. A raiva (sempre passageira) que tenho do Clube que amo nos momentos de derrota, esfarelava-se a cada notícia lida. Cara, como é bom ser Flamengo!

Mas ao me deparar com o jornal O Globo do dia 07 de dezembro de 1981, fiquei radiante. Era o dia seguinte da decisão do Estadual daquele ano. O famoso jogo do Ladrilheiro, onde sapecamos o Vasco.Trinta anos depois, vejam como as segundas-feiras são tristemente opostas. No jornal, a alegria do título e de ter derrotado o seu maior rival. Na realidade de hoje, a tristeza de ter no time um bando de pernas de pau, comandados por um técnico bisonho e uma Presidenta patética. Nesse momento fiquei triste de novo.

Mas aí veio a página seguinte que fez meus olhos lacrimejarem. Uma notícia sobre a preparação do Liverpool para a final do Mundial Interclubes, seis dias depois. Embarquei na notícia e comecei a viver a semana daquela decisão. Estava a poucos dias do jogo mais importante da história do Flamengo. Coração deu uma acelerada e me dei conta que estava em 2012. E pensei em como seria bom que algo parecido acontecesse com a gente de novo.

Esse breve texto não tem nada a ver com nada, e talvez nem deva ser oportuno… Deu vontade de escrever, só para tirar um pouco da angústia do meu peito. Para aqueles que não entendem meu lado corneta e mal humorado com o time atual, esses recortes talvez dêem a dimensão do que espero sempre do nosso clube. Desculpe a chatice, mas já fomos grandes. E quando falo grande, digo gigaaaaaante. E um gigante não mata sua fome com migalhas e nem pode encolher ano após ano. Temos que fazer algo, por favor! Está na hora de despertá-lo.

Como manda a tradição

Em confrontos entre times brasileiros e bolivianos uma coisa é certa: se o jogo não é na altitude, o sacode é garantido. Portanto, vamos parar de frescura e medinho de índio e continuar no rumo da história.
Atropela Mengão! Assim como fez o time comandado pelo Galinho em 1983, a hora é de botar cada um no seu quadrado e, para não perder o costume, encher a bagagem deles de gols.

Flamengo 7 x 1 Blooming

22 de Abril de 1983 – Taça Libertadores da América
Estádio do Maracanã
Público: 13.658 pagantes
Árbitro: Elias Jacomes Guerreiro
Flamengo: Raul, Cocada, Marinho, Mozer, Júnior, Vitor (Elder), Adilio (Gilmar), Zico, Robertinho, Baltazar e Edson.Técnico: Carlos Alberto Torres
Blooming: Terrazas, Herrera, Gallardo, Castillo, Vaca, Villalon, Melgar (Roli), Taborda, Revelis (Davi Paniaga), Sánchez, Rojas. Técnico: Raul Piño
Gols: Sánchez 29s e Robertinho 5 e 25 do 1º tempo; Elder 20, Zico 25, Baltazar 35, Zico 39 e 42 do 2º tempo.

Os últimos também foram os primeiros



Há exatos 28 anos, no dia 23 de janeiro de 1983, o Flamengoestreava no Campeonato Brasileiro. A equipe do Santos foi a primeira (tambémseria a última) vítima desse esquadrão. Contando com a estreia do”cobiçado” Artilheiro de Deus, a equipe rubro-negra não encontrouresistência para impor seu domínio e encher de expectativas a  sua imensatorcida. Zico e Baltazar foram os autores dos gols do primeiro triunfo daqueletemporada.
A epopéia do Tri Campeonato Brasileiro estava só começando.





Flamengo 2×0 Santos

23 de janeiro de 1983 – Campeonato Brasileiro
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 68.169 pagantes
Árbitro: Tito Rodrigues
Flamengo: Raul, Leandro, Figueiredo, Marinho e Júnior; Vitor (Edson), Andrade,Zico; Robertinho, Baltazar e Lico. Técnico: Carpegiani
Santos: Ademir Maria, Toninho Oliveira, Joãozinho, Márcio Rossini e Gilberto;Toninho Vieira (Sérgio), Dema, Paulo Isidoro e Pita; Serginho e Camargo.Técnico: Formiga
Gols: Baltazar aos 13 do 1º tempo; Zico aos 26 do 2º tempo.